Um dos objetivos do nosso percurso pelo Brasil era realizar a travessia de carro da Praia do Cassino, em Rio Grande (RS). Esta praia é conhecida por ser a maior em extensão do mundo, com seus 254km de faixa de areia ininterrupta. Para isto, acordamos cedo e fizemos o nosso café da manhã reforçado na cozinha coletiva da pousada em que dormimos.

Falando nisso, fomos parar na Pousada Palhoça por acaso. Nosso GPS não encontrou os campings que havíamos pesquisado. Como já era tarde e estávamos cansados da viagem de 770km do dia, resolvemos seguir a dica de um frentista, que nos informou que, a poucos quarteirões, uma pousada alugava o seu jardim para barracas de camping.

Praia do Cassino
Na travessia da Praia do Cassino, cerca de 200km são inabitados

A hospedaria não mais aceita campistas, porém a dona nos ofereceu estadia em um quarto, com banheiro compartilhado, por R$60,00. Aceitamos a proposta e aproveitamos um churrasco uruguaio que o Marcelo, genro da proprietária, gentilmente nos ofereceu. As acomodações da pousada não estavam nada agradáveis, mas até então o custo-benefício da hospedagem compensava. Infelizmente, na manhã seguinte para nossa surpresa, fomos cobrados também pelo churrasco. Definitivamente, não recomendamos esta pousada.

Seguimos para a Praia do Cassino e, antes de iniciar a travessia, conversamos com locais sobre os riscos da aventura. Alguns nos desencorajaram, enquanto outros nos deram força para seguirmos em frente. Mesmo com os alertas, resolvemos manter a nossa ideia. Avançamos vários quilômetros areia adentro e cruzamos com o Navio Altair encalhado na beira da areia da praia e com a rica fauna local. O Navio Altair encalhou em junho de 1976, após enfrentar uma forte tempestade de inverno. Aos poucos sua carcaça vai sendo soterrada pela areia.

Navio Altair
A cada dia que passa, o Navio Altair vai desaparecendo da paisagem da Praia do Cassino

Infelizmente, decidimos não prosseguir com a travessia, pois as condições do tempo e do mar não estavam favoráveis. Um jipeiro que encontramos pelo caminho, havia nos alertado sobre as mudanças repentinas da maré. Realmente, após ter rodado alguns quilômetros, pudemos comprovar que o dia não estava propício. Devido às incertezas sobre o tempo da região, aconselhamos a quem deseja realizar a travessia que leve equipamentos para reboque, vá em grupo e em carro 4×4.

Seguimos viagem, então, em direção ao Chuí e à primeira fronteira da viagem. No caminho, atravessamos a Estação Ecológica do Taim, uma área de proteção e conservação da natureza que possui um belíssimo ecossistema alagado e pantanoso, com lagoas e dunas. A reserva teve origem do movimento de avanço e recuo do mar, já que fica entre o Oceano Atlântico e a Lagoa Mirim. E foi com esse visual que nos despedimos do Brasil.

Estação Ecológica do Taim
Estação Ecológica do Taim

6 COMENTÁRIOS

    • Olá, amigo Hamilton, tudo bem?
      É um prazer receber o seu contato no Terra Adentro.
      Então, acredito que o mais importante é avaliar a tábua de marés e realizar a travessia acompanhado de, pelo menos, mais um carro, pois certas áreas da praia são bem traiçoeiras e propícias para atolar.
      Boa viagem, Hamilton!
      Um grande abraço dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

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