Após cruzar a primeira fronteira da viagem, que separa o Brasil do Uruguai, por meio da cidade mais austral do nosso país, o Chuí, seguimos em direção ao litoral uruguaio.  Nossa parada foi o singelo povoado de Cabo Polônio.

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A vila de Cabo Polônio possui cerca de 60 moradores fixos

O vilarejo de pescadores e artesãos fica no Parque Nacional de Cabo Polônio. Seu nome deve-se ao capitão Joseph Polloni, que teve sua embarcação Nuestra Señora Del Rosario naufragada na costa local, em 1753. Pouquíssimos são os habitantes locais fixos. No inverno, a região praticamente fica deserta, mas no verão recebe visitantes, especialmente uruguaios e argentinos, que descobriram as belezas deste lugar encantador.

Chegamos à entrada do parque no fim do dia, animados com o céu ensolarado e a brisa calma que soprava na região. Deixamos o carro no estacionamento do parque, pois apenas veículos autorizados podem atravessas as dunas que ligam a rodovia à Cabo Polônio. Por falar no transporte, a maioria dos visitantes chega ao vilarejo por meio de caminhões 6X6, adaptados. Visualmente, se parecem muito com os famosos “pau de arara”.

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A sombra mostra o caminhão 6×6 que nos levou ao vilarejo

Por sorte, chegamos no horário mais do que certo no parque. O fim do dia, além de nos proporcionar um belo pôr do sol, fez com que a nossa travessia das dunas fosse especial. Somente nós dois e um argentino ocupávamos os assentos do caminhão. O motorista do pau de arara estava mais do que animado. Acelerava o caminhão e cruzava as ondas da areia com grande emoção. Era um sacode pra um lado e um sacode pro outro. Realmente, um dos pontos altos da nossa visita ao povoado.

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O pôr do Sol visto da Playa Sur

Chegando à pequena vila, encontramos um lugar que parece que ainda está parado nos anos 70. Uma praia paradisíaca, com uma formação rochosa pontiaguda, casinhas de madeira simples, hippies espalhados por todas as partes e um astral muito feliz compunham o cenário de Cabo Polônio. Para completar, a luz elétrica é raridade na vila. Por causa disto, a escuridão da noite é quebrada à moda antiga, com velas espalhadas por todos os cantos.

A maior parte das hospedarias são pequenos hostels, com no máximo dois quartos e inúmeras, isto sim, inúmeras camas por metro quadrado. É gente dormindo pra tudo em quanto é lado. Após pesquisarmos um pouco, encontramos o hostel Green House, que nos ofereceu o melhor preço, simpatia e boas acomodações. Dividimos o único quarto com mais sete pessoas, uma aranha de espécie desconhecida de grandes proporções e um simpático sapo.

O banho local também é à moda antiga. Alguns hostels oferecem água quente até às 22h, mas na maioria, assim como o que ficamos, a água é fria e a “casa” de banho fica ao luar.

Além das belas paisagens litorâneas e do clima rústico e pacífico do vilarejo, o que mais nos encantou foram os preguiçosos e engraçados lobos-marinhos, que formam uma colônia fixa nas pedras da costa do farol e em ilhas locais. Nos aproximamos muito dos simpáticos lobinhos de dois pelos e aproveitamos para registrar uma das mais relevantes colônias do mundo. Foi simplesmente um momento inesquecível de contato com a natureza.

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Loberia na costa do Farol

De frente para as pedras onde se concentram os lobos que vimos está o Farol, construído em 1880 para nortear as embarcações, que frequentemente naufragavam na região.

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O Farol foi construído para nortear as embarcações do risco da costa local

Fomos embora com a sensação de que a vila foi um dos lugares mais especiais e peculiares que visitamos em nossa vida.

1 COMENTÁRIO

  1. Olá, muito legal seu blog. Entraremos no Uruguai na segunda-feira.

    Gostaria de saber se lhe solicitaram a autorização de saída do país com o carro feito com a financeira ao entrarem no Uruguai?

    Abraços…

    • Olá Ronaldo,

      Muito Obrigado por acompanhar o nosso blog.
      Pois, então, estamos em Ushuaia hoje e, até o momento, não nos foi solicitado a autorização para tráfego de veículos alienados fora do país. Nem na fronteira Brasil/Uruguai, quanto nas demais fronteiras não nos foi solicitado. Contudo, nas estradas uruguaias, nenhum policial nos abordou. Por lá tem pouquíssima polícia rodoviária.
      Apesar de esta autorização ser obrigatória, o mais importante é que o carro esteja no nome do motorista. Isto é o que mais conta nas fronteiras e abordagens policiais. Acredito que você não terá problemas.

      Espero ter colaborado!

      Grande abraço,

      Henrique e Sabrina.

  2. Demais Bina!!! Os lobos marinhos são muito fofos não são?!
    Este é o post que mais gostei até agora (lógico né hahahahaha)
    Bjo grande e boa viagem 😉

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