Após a nossa inesquecível passagem pelo Parque Torres Del Paine, seguimos em direção à El Calafate e atravessamos mais uma fronteira do mochilão, o Paso Cerro Castillo*. Boa parte do trajeto entre as duas cidades é em estrada de rípio e, foi neste dia, que rodamos os primeiros quilômetros na Ruta 40 argentina.

O nome da cidade surgiu pelo fato de a região produzir grandes quantidades de uma pequenina fruta chamada Calafate. Pelas estradas, é possível colher diretamente do pé, mas cuidado com os espinhos. O seu gosto nos lembrou as amoras.

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Fruta que inspirou o nome da cidade

O objetivo de nossa visita a El Calafate era conhecer a geleira mais importante do continente, o Glaciar Perito Moreno, que fica no Parque Nacional Los Glaciares. Contudo, não esperávamos chegar em uma cidadezinha super charmosa e romântica.

El Calafate tem ruas cheias de lojinhas, restaurantes e agências de turismo que podem ocupar um dia inteiro de passeio. É uma cidade convidativa para caminhar bem tranquilo, sentir o clima aconchegante e até sentar em um banquinho na calçada para tomar um sorvete artesanal, observando suas construções em madeira. Mesmo com o orçamento contado, vale separar alguns pesos para experimentar o sorvete da Las Ovejitas, que fica na Rua San Martín. É delicioso!

Mas o principal destino dos viajantes na cidade é o Parque Nacional Los Glaciares. A reserva ocupa mais de 724 mil hectares e é, pela Unesco, Patrimônio Mundial da Humanidade. Há milhões de anos, todo o parque era coberto de glaciares que esculpiam vales nas montanhas e arrastavam rochas por toda a área. Mas a mudança climática da Terra reduziu a superfície do gelo, transformando uma grande parte das geleiras em rios e lagos. Atualmente essa imensa extensão de gelo que restou, o Campo de Hielo Sur, é a terceira maior do mundo, ficando atrás somente da Antártida e Polo Norte.

Olha o tamanho do barco perto do Perito Moreno!
Olha o tamanho do barco perto do Perito Moreno!

O principal glaciar do parque é o Perito Moreno. Ele tem, ao todo, 250km² de superfície e se destaca principalmente por ser um dos poucos no mundo que não está diminuindo em decorrência do aquecimento global. Além da imensidão da geleira, o que nos chamou a atenção foi o desprendimento de alguns blocos do glaciar. Esse fenômeno produz um som similar ao de um trovão e ocorre pois o Perito Moreno se move, em média, 2 metros por dia.

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Rupturas na geleira são frequentes

Ao longo da estrada que corta o parque existem diversos mirantes para observar o glaciar. Além disso, em seu entorno há diversas passarelas que nos permitem chegar bem perto e apreciar sua imensidão de ângulos diferentes.

Para os mais aventureiros, as agências de turismo de El Calafate oferecem duas opções de trekking sob o glaciar. O mini trekking é para os menos experientes e dura em torno de três horas. Já o Big Ice é uma caminhada mais puxada, que chega até sete horas de duração. Este último é disponibilizado apenas para pessoas entre 18 e 50 anos. Não pudemos realizar nenhuma dessas trilhas, pois só tinha vaga para depois de uma semana. Portanto, se quiser se aventurar no Perito Moreno, reserve com antecedência. Outra opção também para quem deseja chegar bem perto deste e outros glaciares do parque, é comprar um passeio de barco.

*De Puerto Natales à El Calafate, preferimos seguir pelo Paso Cerro Castillo, ao invés do Paso Dorotea, mesmo este último sendo mais convencional. Alguns moradores locais nos indicaram este caminho que, apesar de ter boa parte do seu trecho em estrada de rípio, é mais curto. Foi uma boa escolha que fizemos.

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