Após completarmos duas etapas da Rota das Emoções, Jericoacoara e Delta do Parnaíba, ainda nos faltava o último desafio: Os Lençóis Maranhenses.

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Lençóis Maranhenses, o último destino da Rota das Emoções

Era começo de tarde, o sol a pino e estávamos prontos para seguir rumo aos lençóis. A cidade base para se explorar o Parque dos Lençóis Maranhenses é Barreirinhas, no Maranhão. Estávamos em Parnaíba, no Piauí e tínhamos que tomar uma importante decisão: seguiríamos pela dunas, passando por Paulino Neves, já no estado do Maranhão ou faríamos o trajeto todo pelo asfalto, o qual aumentaria mais de 400 km de estradas? Por alguns moradores de Parnaíba fomos aconselhados a seguir pelo asfalto, já que as estradas que cortam as dunas são traiçoeiras, verdadeiros atoleiros, e não possuem sinalização. Entretanto, não escondíamos o anseio de encontrar as dunas novamente, abandonadas tão brevemente por nós em Jericoacoara.

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Prontos para encontrar as dunas novamente

Fizemos a escolha que nosso coração nos mandara. Partimos de Parnaíba em direção à cidadezinha de Paulino Neves, onde termina a estrada pavimentada e começam as dunas. De Paulino Neves à Barreirinhas são cerca de 80 km por estradas de areia, pelas praias, por entre manguezais e pelo alto das dunas. Um cenário tão incrível, que nunca imaginávamos conhecer e desbravá-lo desta forma. Parávamos inúmeras vezes para fotografar, desatolar o carro e sentir a natureza só para nós. São nestes momentos que pensamos o quanto a natureza tem a nos ensinar e que somos parte de um todo que está em constante movimento.

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Atravessamos um cenário desértico e intocado no caminho para os Lençóis

Certas partes do trajeto seriam impossíveis de serem completadas sem usar a tração 4×4 de nosso carro e de contar com pneus bem descalibrados, com cerca de 16 libras cada um. Os trechos finais, a cerca de 20 km de Barreirinhas, são os mais complicados, com areia mais fofa e subidas que exigem um grande esforço do veículo e dos passageiros, já que se chacoalha para todos os lados o tempo todo! Muita emoção e adrenalina para os amantes de off road.

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A areia fofa e a ausência de estradas demarcadas tornam o trajeto emocionante

Depois de umas cinco horas de trajeto, finalmente chegamos à Barreirinhas. Era impossível conter a alegria por termos cruzado lugares tão fascinantes pelo caminho. Aproveitamos para recalibrar nossos pneus e seguimos para uma pousada bem econômica que encontramos. À noite, saímos para curtir o clima agradável dos bares e restaurantes que se ficam às margens do Rio Preguiças, onde começaria o nosso desafio no dia seguinte.

Mas o que nos levou aos Lençóis Maranhenses no mês de janeiro? Sabíamos que esta época corresponde ao período de seca na região, já que as chuvas se concentram nos meses de maio a setembro. Assim, seria muito grande a probabilidade de encontrarmos todas as lagoas do Parque dos Lençóis Maranhenses secas, tornando toda aquela imensidão em um deserto de dunas e mais dunas. Ainda que soubéssemos desta possibilidade, não hesitamos em conhecer os lençóis e completar a tão sonhada Rota das Emoções, mesmo que vários moradores nos desaconselhassem a ir. A maioria nos sugeria a Lagoa Esperança, uma das poucas da região que estava com bom volume de água.

Com as chuvas do meio do ano, neste ponto se forma uma das mais visitadas lagoas dos Lençóis, a Lagoa Azul

No dia seguinte, acordamos bem cedo e partimos para os lençóis. Por ordens do parque, somente veículos autorizados podem transitar pelas estradas de acesso. Deixamos o nosso carro e seguimos na caçamba das famosas “Jardineiras”, aquelas Toyotas Bandeirantes antigas, com toldo e bancos espalhados, mas com um motor de dar inveja em qualquer carro moderno.

Balança daqui, balança dali, abaixa a cabeça para não ser surpreendido por nenhum galho de árvore e, após uns 40 minutos por lindas estradas de areia em meio à vegetação característica do Parque, chegamos ao ponto inicial das dunas, de onde abandonaríamos o carro e seguiríamos a pé até a Lagoa do Peixe, a única que segundo relatos estaria com água.

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A bordo da Jardineira que nos levou ao Parque dos Lençóis Maranhenses

O sol nos dava uma trégua neste dia, mesmo assim a areia estava muito quente e o calor, literalmente, de deserto. Colocamos a mochila nas costas com muita água e protetor solar e partimos. Pelo caminho, o guia local que nos acompanhava nos mostrava os lugares onde, na época da cheia, se formam as lagoas. Imaginamos o quão belo devem ser os Lençóis e suas incríveis lagoas de águas azuis e esverdeadas. Por outro lado, somente na época da seca que se “forma” o imenso deserto de dunas, a perder de vista.

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No meio do deserto de dunas, encontramos a Lagoa do Peixe

Caminhamos por uns 25 minutos, quando, ao subir no topo de uma duna, tivemos a primeira vista da Lagoa do Peixe. Um oásis que sobreviveu ao período da seca. Aproveitamos a parada, encontramos uma sombra em meio à vegetação nativa, mas já era hora de voltar. A jardineira nos esperava e o sol começava a esquentar. Mesmo com as lagoas secas, não esqueceremos cada passo que deixamos marcado nas areias dos Lençóis.

2 COMENTÁRIOS

    • Oi Fabiana! Realmente, os lençóis são incríveis. Em cada período do ano, se tem uma paisagem totalmente diferente da outra. Seja no período da seca ou das chuvas, os lençóis são um dos destinos mais impressionantes do mundo! Obrigado por nos acompanhar sempre! Abraços, Henrique e Sabrina.

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