Depois de passarmos três dias incríveis na Serra Catarinense, chegara a hora de seguirmos nosso caminho. O próximo destino era a Terra dos Cânions, na divisa dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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A imponente Terra dos Cânions, na divisa entre os estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Deixamos Urubici para trás e seguimos em direção a Bom Jardim da Serra. De lá, o nosso objetivo era alcançar São José dos Ausentes e, posteriormente, Cambará do Sul, ambas cidades gaúchas.

Colhemos algumas informações com moradores da região e já nos preparamos para os inúmeros quilômetros de estrada de chão que estavam por vir. De Bom Jardim da Serra a Cambará do Sul foram, aproximadamente, 140 km por entre estradas de terra e de cascalho. Uma das estradas mais belas que já cruzamos no Brasil, repleta de pontes de madeira, florestas de araucárias e muitas cachoeiras pelo caminho. Nem contamos quantas vezes paramos para nos refrescar nos rios límpidos que brotavam das montanhas acima. As mais de quatro horas pelas estradas de chão passaram num piscar de olhos e sequer sentimos o cansaço do balanço do carro.

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A impressionante estrada que liga Bom Jardim da Serra a Cambará do Sul, repleta de cachoeiras e paisagens grandiosas

Era de tarde quando chegamos em Cambará do Sul e logo avistamos um centro de informações turísticas. Paramos lá e fomos educadamente recebidos. A moça que nos atendeu fez questão de mostrar todos os pontos de visitação mais importantes da região, além de compartilhar dicas valiosas. Como já se aproximavam das cinco da tarde, não tínhamos tempo a perder, já que os parques estavam para fechar. Assim, escolhemos o Cânion Fortaleza como nosso destino e partimos.

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Os imensos paredões do Cânion Fortaleza

A famosa terra do cânions é formada pela união de dois parques, o Parque da Serra Geral e o Parque Aparados da Serra. Ambos localizam-se na divisa de Santa Catarina com Rio Grande do Sul e podem ser acessados pelos dois estados. Segundos estudos científicos, as formações rochosas destes parques são as mesmas que compõem o cenário da Cidade do Cabo, na África do Sul, um forte indicativo de que as regiões eram unidas no passado, antes da ocorrência da divisão da Pangeia, fenômeno que separou a terra em continentes.

Após alguns quilômetros por estradas de chão, chegamos à entrada do parque. O acesso ao Cânion Fortaleza é gratuito e o estacionamento fica ao lado de sua cratera, algo que só fomos perceber do alto, quando estávamos às bordas do cânion. Paramos o carro e começamos a trilha, bem fácil e que leva poucos minutos. Logo no começo, já pudemos avistar a imensidão do Fortaleza e as inúmeras cachoeiras que brotam das rochas. Contudo, foi somente quando atingimos o ponto mais alto do mirante, que conseguimos entender o seu nome. O Cânion Fortaleza, de paredões que ultrapassam os 1.000 metros de altura, lembra as antigas fortalezas que eram construídas para se proteger dos inimigos, só que dezenas de vezes maior que qualquer muro já construído pelo homem.

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Cachoeiras que brotam do Cânion Fortaleza deixam o cenário ainda mais bonito

É incrível a sensação ao se aproximar de suas margens, um frio na barriga incontrolável e, ao mesmo tempo, uma sensação indescritível de liberdade. Parecia que éramos capazes de voar, assim como os pássaros que plainavam por entre suas crateras. Para quem tem medo de altura, qualquer aproximação pode causar forte vertigem, o que torna o cânion um prazer bem perigoso. Pelo fato de o parque ser gratuito, o mesmo não possui estrutura alguma, seja de banheiros, lanchonetes e itens de segurança. Do alto do mirante, não existem quaisquer guarda-corpos ou equipes de segurança. O próprio visitante define os seus limites, apesar de o parque recomendar certa distância dos penhascos.

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Com os pés à beira do abismo

Esta liberdade tornou o nosso fim de tarde inesquecível. Deitamos ao lado de sua cratera, em rochas bem firmes e ali ficamos contemplando o pôr do sol e como seus raios iam aos poucos escapando do Cânion Fortaleza.

À noite, em Cambará do Sul, saímos para comer uma pizza em um restaurante bem retrô, em que podíamos escolher o vinil que tocaria no som. Uma boa pedida após um dia bem cansativo.

No dia seguinte, ajeitamos as coisas no carro e logo partimos em direção ao Cânion Itaimbézinho. Este, o mais famoso da região dos cânions, é menos grandioso que o Fortaleza, mas com mais estrutura para o turismo. Por cobrar entrada, o parque oferece banheiros, lanchonetes, centro de visitantes e boa segurança. Ao longo da trilha para o mirante do Itaimbézinho, guarda-corpos separam o caminho dos desfiladeiros, o que torna o nosso contato um tanto quanto distante com o cânion. Gostamos muito de conhecê-lo, mas nada que o compare ao Cânion Fortaleza, o mais imponente de toda a Terra dos Cânions.

O Cânion Itaimbézinho, o mais famoso da Terra dos Cânions

Como nosso tempo estava curto, decidimos não fazer a Trilha Rio do Boi, que passa dentro do cânion Itaimbézinho, em um trajeto de oito horas de caminhada. O acesso à trilha é pela cidade de Praia Grande, no estado de Santa Catarina, já na parte baixa do parque. Do Itaimbézinho, descemos a serra em direção à BR-101, de onde seguiríamos sentido à Minas Gerais, nosso próximo destino.

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