Uma história de amor dos contos de fadas sempre tem um final feliz. E assim é a nossa história com a Península Valdés.

Foi a segunda vez que nos apaixonamos cegamente por suas terras áridas, sua fauna exuberante e sua atmosfera selvagem.

Nossa primeira passagem pela Península Valdés nos revelou um mundo que ainda não conhecíamos. Animais característicos em seu habitat natural, livres e desimpedidos, e uma natureza tão intocada, que nos fez sentir como atores do filme “Na Natureza Selvagem”, um clássico longa metragem sobre liberdade e os limites do homem perante a natureza.

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Não havia como deixarmos de passar na Península novamente em nossa Volta ao Mundo de carro. Sempre que planejávamos o roteiro nos lembrávamos de como suas terras deixaram profundas marcas em nós. Sem dúvida alguma, um dos grandes responsáveis por nos fazer mudar de vida e largarmos tudo para trás em prol deste grande sonho.

Cruzamos para a Argentina em uma quinta-feira e no sábado já estávamos entrando na Península. Rodamos cerca de 1.200 quilômetros, de Buenos Aires até Puerto Madryn, em dois dias, uma proeza para o Mochileiro, que raramente passa dos 80 km/h. Era a ansiedade para chegar que nos fez dirigir estes dois dias sem cessar, sem conseguir tomar um banho sequer, pois não havia tempo a perder.

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Quando chegamos, nosso corpo desacelerou. Parecia que havíamos voltado para casa de tanto que estávamos relaxados. Nem entendíamos direito o porquê de tanta correria, já que não temos data para terminar a viagem. Enfim, a Península Valdés se encarregou de nos dar as boas-vindas e compensar o nosso sacrifício.

Havíamos chegado a poucos minutos, paramos o carro, pegamos a câmera fotográfica e nos dirigimos à Punta Pirâmides, o lugar mais surreal da Península Valdés. Inicialmente, a nossa ideia era fotografar alguns lobos e elefantes marinhos que habitam suas encostas. Começamos a fotografá-los quando, num piscar de olhos, percebemos um forte movimento debaixo d’água. Num primeiro momento pensamos que fossem Lobos-Marinhos procurando alimento, mas nos surpreendemos quando vimos que eram duas Baleias-Franca-Austral, sendo que uma delas era um filhote.

Nos emocionamos tanto que mal conseguíamos fotografar. Ficávamos admirando-as, enquanto elas se exibiam pra nós dois, pois não havia mais ninguém onde estávamos. Foi um momento único e incrivelmente marcante. Até hoje não sabemos direito porque dirigimos tão rápido para a Península Valdés. Seria para presenciarmos este momento? Não havia outra forma de sermos tão bem recebidos em suas terras.

Rodamos os seus mais de 200 quilômetros em estradas de rípio sem piscar um olho sequer. Seja na Punta Norte, Punta Cantor, Punta Delgada ou na Caleta Valdés os cenários são de tirar o fôlego.

O pôr do sol na Caleta Valdés e na Praia Pardela, onde acampamos, foram cenas tiradas de outro mundo ou de filmes de ficção científica. Nesta última, passamos a noite sozinhos, dormindo em frente ao mar e sentindo a forte ventania que chacoalhava o nosso carro durante a noite.

Na manhã seguinte vimos os primeiros raios de sol iluminando a costa e aquele imenso mar azul à nossa frente.

Era hora de seguir e, então, nos despedirmos da Península Valdés, o símbolo da Patagônia argentina.

Dicas para quem vai visitar a Península Valdés

  • Leve sempre um agasalho em sua mala, pois venta muito na região.
  • O período para ver Baleias-Franca-Austral e Orcas é durante os meses de junho a novembro, quando elas vêm à região para se reproduzirem.
  • O passeio de barco para ver baleias gira em torno de 1.200 pesos por pessoa.
  • O período para ver Lobos e Elefantes-Marinhos e Pinguins de Magalhães é durante os meses de novembro a março.
  • Na punta Norte poderá ver lobos e Elefantes-Marinhos, mas a certa distância.
  • O local que poderá se aproximar mais dos Lobos e Elefantes-Marinhos é na Punta Delgada, contudo é cobrado um valor considerável de entrada.
  • O ideal é se hospedar ou acampar em Puerto Pirâmides, dentro da Península Valdés, pois Puerto Madryn fica à mais de 100km do parque.
  • Caso queira se hospedar em Puerto Madryn, uma excelente opção é o Dazzler Hotel, nosso parceiro na Argentina.
  • Puerto Pirâmides tem boa estrutura de pousadas/hostels, campings, restaurantes e quiosques.
  • O ingresso para entrada na Península Valdés é caro, algo como 330 pesos argentinos por pessoa. Com este ingresso você pode entrar duas vezes dentro da Península em um prazo de sete dias.
  • Um bom lugar para acampar gratuitamente é na Praia Pardela, próximo à Puerto Pirâmides.
  • Antes de iniciar o trajeto em estradas de rípio, abasteça o tanque do carro em Puerto Pirâmides, pois são mais de 200 km sem postos de combustíveis.
  • É bom levar algum lanche, pois durante o trajeto não há lanchonetes ou restaurantes.

9 COMENTÁRIOS

    • Olá Beraldo, tudo bem?
      Que bom receber o seu relato no Terra Adentro!
      Realmente, a Península Valdés possui um encanto único dentro da Patagônia! É um lugar especial e diferente de todos os demais cantos da Patagônia.
      Parabéns pela viagem e agradecemos muito por acompanhar a nossa Volta ao Mundo de carro!
      Abraços dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

    • Oi Camila Coubelle, tudo bem?
      Nossa, a Península Valdés é realmente um destino único na América do Sul! Surpreende qualquer um que se aventura em suas terras!
      Ahh, e adoramos a matéria que fez sobre nós e sobre a Península Valdés em seu blog!
      Obrigado pelo carinho e pela companhia!
      Pode contar sempre conosco!
      Abraços dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

    • Olá Leonir, tudo bem?
      Que bom ter a sua companhia em nossa viagem!
      De fato, a Península Valdés é simplesmente deslumbrante!
      Grande abraço dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

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