A história das Américas vai muito além do período da descoberta pelos Espanhóis e pelos Portugueses. Muitas partes desta história foram apagadas dos registros oficiais ou completamente destruídas após a ocupação européia no continente. Poucos lugares resistiram ao tempo e à destruição imposta pelos conquistadores. Quase via de regra, os registros que resistiram foram aqueles que não foram encontrados ou descobertos na época da ocupação.

As ruínas de El Shincal foram descobertas quase 4 séculos depois de sua desocupação

Entres estes estão o famoso sítio de Machu Picchu, no Peru, e as ruínas de El Shincal de Quimivil, na Argentina, ambos contam histórias de um passado glorioso do império Inca, um dos sete maiores impérios da história antiga.

Este último, o sítio de El Shincal de Quimivil, é considerado o Machu Picchu argentino. Tida como a maior cidade inca na Argentina, El Shincal é grandiosa, conservada e extremamente desconhecida.

El Shincal impressiona pela conservação e grandiosidade das construções

Localizada na cidade de Londres, a irmã mais rústica da famosa cidade inglesa, El Shincal se manteve “perdida” por mais de 400 anos, da mesma forma que se manteve a cidade sagrada de Machu Picchu. Tomada pelo mato e por árvores típicas da região, chamadas de Shinqui, El Shincal foi descoberta no ínicio do século XX e, por causa disto, surpreende por sua incrível conservação.

A primeira vista que temos das ruínas de El Shincal é fascinante. Uma pequena trilha nos leva até o alto do Cerro Cerimonial, o local onde os incas costumavam realizar cerimônias religiosas e festas comemorativas. De cima, temos uma visão panorâmica da antiga cidade e de quão pujante deveria ser.

Deste ponto, destacam-se o centro de poder dos Incas, denominado de Ushnu, as Kallankas, que eram os antigos depósitos de mantimentos e as escadas para o céu, que era um local sagrado, destinado às cerimônias religiosas e a contemplação aos Deuses.

O Ushnu, o centro de poder dos Incas e local de realização de cerimônias religiosas e sacrifícios de animais

O mais interessante da cultura inca era a forma como eles definiam a posição de cada um destes pontos de sua cidade. Tendo o sol como referência religiosa e até social, cada um destes lugares, sejam sagrados ou não, eram posicionados de acordo com o nascer e o pôr do sol, o que deixava claro a importância que eles davam ao sol em sua cultura.

Pouquíssimo visitada, as ruínas de El Shincal recebem cerca de 15 a 20 turistas por dia, em média. Extremamente desconhecida atualmente, El Shincal era uma grande referência no passado. Todos os caminhos incas que passavam pela Argentina, cruzavam a cidade, devido à sua importância política e econômica para o império.

As Ruínas de El Shincal são muito desconhecidas. Neste dia, nós dois éramos os únicos visitantes agendados

El Shincal de Quimivil foi uma daquelas incríveis surpresas pelo caminho. Nunca tínhamos ouvido falar e, até hoje, não entendemos os motivos exatos de ser tão desconhecida. Pode ser por sua localização, extremamente afastada de grandes centros urbanos e turísticos ou pode ser pelos modestos investimentos que foram feitos para sua conservação. Bom, o real motivo não importa, isto só a torna mais um dos belíssimos tesouros perdidos ao longo da Ruta 40 argentina.

2 COMENTÁRIOS

    • Realmente, Valéria, o Império Inca era imenso, pois se estendia desde o sul da Colômbia até o norte da Argentina!
      Seus caminhos muito bem delimitados permitiam que eles tivessem acesso rápido a qualquer um dos pontos do império.
      Uma rede de comunicação perfeita e extremamente moderna, mesmo se pensada nos tempos atuais.
      Uma pena que foram completamente devastados e destruídos. As poucas ruínas conservadas que restaram, como El Shincal e Machu Picchu, foram aquelas que não foram descobertas no período da ocupação espanhola.
      Abraços dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

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