Quando partimos para a nossa Volta ao Mundo de carro, todos os dias, ininterruptamente, imaginávamos como seria a nossa passagem pelo Deserto do Atacama.

Considerado o deserto mais alto e seco do mundo, o Atacama é uma terra que impressiona e desperta grandes paixões. Aquela imagem de que deserto é tudo igual, uma imensidão de terra sem fim, perde completamente o sentido por lá. Dotado de uma grande diversidade de paisagens, o Atacama nos mostra como os desertos podem ser surpreendentes e magníficos.

O Deserto do Atacama é incrivelmente surpreendente. Nesta imagem, flamingos em revoada no final do dia.

De todas as injustiças, a maior delas é imaginar que o Atacama é somente aquela região que circunda a rústica cidade de San Pedro do Atacama. O deserto se extende por uma vasta região no Chile, desde o sul de Copiapó até o extremo norte do país, nas fronteiras com o Peru e a Bolívia. Suas áreas mais secas ficam longe de San Pedro do Atacama, um pouco mais ao norte, nas proximidades da cidade de Iquique, onde, alguns trechos de terra, ficaram mais 400 anos sem presenciarem uma gota de chuva sequer.

Contudo, é no entorno de San Pedro que se encontra a região mais turística do deserto e, não por menos, repleta de paisagens belíssimas e completamente surpreendentes.

Nosso caminho para San Pedro do Atacama foi através do Paso de Sico, que interliga esta cidade à Salta, na Argentina. Devido às chuvas intensas do período conhecido como inverno altiplânico, várias estradas estavam fechadas e, desta forma, não tivemos outra alternativa.

O caminho entre Salta e San Pedro é precioso. Cruzamos por altitudes extremas, a mais de 4.700 metros acima do nível do mar, e tivemos a oportunidade de atravessar o trilho do trem das nuvens, um dos caminhos ferroviários mais altos do mundo, ainda na Argentina, e passar bem ao lado do Salar de Águas Calientes, já no Chile, e presenciar um dos pores do sol mais lindos do Atacama.

Nossa ideia inicial era passar algo como quatro a cinco dias em San Pedro. Contudo, com algumas propostas de trabalho fotográfico que surgiram em hotéis da cidade, decidimos ficar por 10 dias.

Incrivelmente, choveu muito nos 10 dias que por lá estivemos. Nem mesmo os moradores acreditavam no que estava acontecendo. Conversávamos com um e com outro e, todos eles, eram categóricos em afirmar que nunca tinham visto algo semelhante. Ficamos impressionados com a chuva ininterrupta no meio do deserto mais alto e seco do mundo, mas felizes por presenciar momentos de pura vida em meio às terras áridas do Atacama.

A chuva nos proporcionou paisagens incríveis, como este lindo arco-íris.

As chuvas fecharam inúmeras estradas e destinos imperdíveis do deserto. Aproveitávamos um tempo e outro sem chuva e partíamos em direção aos destinos que desejávamos explorar.

Dentre eles, a Laguna Chaxa foi um dos que mais nos impressionou. Localizada na região conhecida como Salar de Atacama, a laguna é de água salgada, mas enfeitada de sul à norte com centenas de Flamingos-andinos. Estas aves, de beleza tão singela e singular, tornam um fim de tarde às margens da laguna um presente divino.

No caminho para a laguna Chaxa, os Ojos del Salar dão o cartão de visita pra quem se aventura por lá. Vistos do alto, estes dois “buracos” de água, no meio do deserto, se parecem mais como olhos, os verdadeiros olhos do Atacama.

Mochileiro em frente aos Ojos del Salar.

Mas a nossa verdadeira saga no deserto se deu com o incrível Vale da Lua. Considerada uma das regiões mais extraterrestres do planeta terra, o Vale da Lua é grandioso e repleto de paisagens completamente diferentes de tudo o que já vimos neste mundo.

Localizado a poucos quilômetros de San Pedro, o Vale da Lua sofreu com as chuvas destes 10 dias. Da mesma forma, nós também, que por três vezes seguidas tivemos que sair às pressas de lá, devido às tempestades fortíssimas que se encaminhavam.

Na última delas, talvez nossa última tentativa por lá, tivemos o maior dos presentes: um pôr do sol espetacular, na companhia de arco-íris espalhados por todos os lados. Como diz o velho e bom ditado: “Depois da tormenta, vem a bonança”.

Fim de tarde inesquecível no Vale da Lua.

E, assim, o Vale da Lua recompensou o nosso esforço!

Infelizmente, alguns destinos imperdíveis do Atacama estavam inacessíveis. Por outro lado, tivemos a oportunidade de presenciar momentos únicos que a chuva incessante proporcionou ao deserto.

Bom, os nossos dias em San Pedro terminaram, porém não os nossos dias no Atacama. Ah, que bom que muitas surpresas ainda estavam guardadas para nós.

E, assim, preenchidos de grandes e inesquecíveis experiências, partimos rumo à Iquique e Humberstone, nossas próximas paradas em meio ao deserto mais alto e seco do mundo!

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