O extremo norte do Chile mais se parece com outro país. As diferenças culturais, econômicas e sociais com o restante da nação são incrivelmente marcantes.

Oriunda de um passado de conflitos não tão distante entre Chile e Peru, a região de Arica, outrora território peruano, guarda inúmeras riquezas arqueológicas, culturais e naturais.

Ocupada no passado por povos indígenas conhecidos como Chinchorros, o extremo norte do Chile é o berço de uma das descobertas arqueológicas mais importantes de todos os tempos. É lá que foram encontradas as múmias mais antigas do mundo, com cerca de 7 mil anos de existência. Por incrível que pareça, os egípcios, conhecidos mundialmente por suas técnicas milenares de mumificação, não foram os primeiros a desenvolverem este ritual. Os Chinchorros, cerca de 2 mil anos antes dos egípcios, já mumificavam os seus mortos.

Eles acreditavam que a mumificação era uma forma de manter os antigos membros participando da comunidade, como se ainda estivessem vivos. Diferentemente dos egípcios, que mumificavam os Faraós, tidos como Deuses para a religião egípcia, os Chinchorros mumificavam qualquer membro da comunidade, independentemente de sua posição social.

Mesmo as crianças eram mumificadas, o que demonstrava que qualquer membro da comunidade, independentemente de seu status social, poderia participar deste ritual.

Por serem povos sedentários e dominarem bem as técnicas de caça e pesca, os Chinchorros tinham tempo de sobra para desenvolverem outros conhecimentos. E, foi desta forma, que surgiram as técnicas de mumificações deles, que foram sofrendo adaptações ao longo dos tempos.

Toda esta riqueza arqueológica se encontra atualmente no Museu de San Miguel de Azapa, a cerca de 15 quilômetros de Arica. Um pequenino e singelo museu, mas que guarda descobertas arqueológicas incalculáveis.

Mas não é só de arqueologia que vive a cidade de Arica. Considerada a mais desenvolvida cidade do norte do país, Arica é receptiva, calorosa e muito movimentada. Seus moradores, de tão simpáticos que são, não conseguem esconder a todo momento a paixão que sentem pela cidade nortista, mais peruana que chilena, sem sombras de dúvida.

A mistura de povos tornou Arica uma cidade diversificada, vibrante e muito interessante. Mas não é somente por isto que a cidade atrai visitantes do mundo todo.

Uma das mais indescritíveis belezas do norte chileno se encontra bem pertinho dali: o Parque Nacional Lauca. Localizado nos altiplanos da Cordilheira dos Andes, bem próximo à tríplice fronteira entre Chile, Peru e Bolívia, o Parque Lauca é um dos mais encantadores parques dos Andes.

Recheado de paisagens surreais e por muitos animais típicos, o parque abriga alguns dos vulcôes mais cênicos e altos do mundo: o Parinacota e o Pomerape. Com aproximadamente 6.300 metros, os vulcões são montanhas gêmeas e, segundo reza a lenda dos indígenas que habitavam as terras do parque, o Nevado Sajama, do outro lado da fronteira, na Bolívia, seria filho da união entre o Parinacota e Pomerape. E que filho, já que o Sajama, com mais de 6.500 metros, é a maior montanha de toda a região, podendo ser observada bem à distância.

Não se deixe enganar pela perspectiva da foto. À esquerda, o vulcão Parinacota e à direita, o Nevado Sajama, a mais alta montanha de toda a região.

Aos pés do vulcão Parinacota encontra-se um dos lagos mais altos do mundo, o Lago Chungará, com cerca de 4.520 metros acima do nível do mar. Às margens do lago, muitos flamingos, Vicunhas e Lhamas encontram o seu alimento em meio à esta natureza tão selvagem e exuberante. Uma paisagem cênica em meio aos altiplanos da Cordilheira dos Andes.

Nossa passagem pelo parque foi breve, mas o suficiente para nos encantarmos por mais um pedacinho da América do Sul.

Foram 44 dias por estas terras espetaculares. Não temos palavras para descrever quão belo é o Chile e quão diversificado é o país de norte a sul. A nossa viagem por aqui estava chegando ao fim. Chegou a hora de apontarmos a bússola para o norte e começarmos a jornada por outros país: o Peru.

Dicas para quem vai visitar Arica e o Parque Lauca

  • Arica é uma cidade bem estruturada e muito acolhedora. Os seus moradores são muito simpáticos e apaixonados por sua cidade. É de impressionar!
  • O principal atrativo da cidade é seu centro histórico, o Morro de Arica e o Museu de San Miguel de Azapa.
  • Reserve algo como 2 horas para visitar o Museu de San Miguel de Azapa.
  • Há outros museus na cidade que contam a história do povo Chinchorro, como o Museu Colón 10, que é muito interessante também. Neste museu, podemos caminhar sobre um piso de vidro e, logo abaixo, estão as múmias Chinchorros, exatamente no mesmo local onde foram encontradas.
  • As ruas do centro de Arica têm ótimas e baratas opções de alimentação.
  • A comida é deliciosa, com muita influência da culinária peruana.
  • O Parque Lauca se localiza a cerca de 150 quilômetros de Arica, no sentido da fronteira com a Bolívia.
  • A principal cidade próxima ao Parque é Putre, a capital da comuna de Parinacota.
  • Se você for de carro, com um dia conseguirá chegar à Laguna Chungará e aos vulcões Parinacota e Pomerape.
  • Existem passeios que vão de 1 a 4 dias que partem de Arica.
  • Um destino imperdível é o Salar de Surire, que fica dentro do Parque Lauca. Contudo, para conhecê-lo, precisará explorar o parque por, pelo menos, dois a três dias.
  • Leve roupas bem quentinhas, pois faz muito frio na altitude do parque Lauca.
  • Saia de Arica bem cedo, pois o tempo na altitude costuma ser muito instável na parte da tarde.
  • Aproveite muito esta região belíssima e multi-cultural do Chile.

2 COMENTÁRIOS

  1. Henrique e Sabrina, primeiramente parabéns pela matéria muito bem elaborada, que interessante a parte mumificação né, alguns historiadores relatam que estes povos bem no passado teriam recebido alienígenas que passaram vários conhecimentos a eles, inclusive está técnica.
    Um grande abraço meus amigos, estejam sempre com Deus.

    • Olá Edson, tudo bem com você?
      É um prazer receber a sua mensagem no Terra Adentro, amigo!
      Realmente, as múmias Chinchorros são interessantíssimas e, até hoje, pairam no ar inúmeros segredos sobre o processo de mumificação em si e os objetivos deste ritual.
      É fato que eles tinham um conhecimento muito avançado de mumificação, o que ajudou demais na conservação dos corpos por cerca de 7 milênios.
      São grandes mistérios por trás desta incrível descoberta, Edson!
      Forte abraço dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

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