A nossa passagem pelo Peru havia começado a todo vapor. Os três dias que estivemos em Arequipa foram fantásticos e nos mostraram um outro mundo, que até então desconhecíamos completamente.

País de cultura única e extremamente preservada, o Peru também guarda paisagens naturais estonteantes e estradas surpreendentes.

O caminho entre Arequipa e a cidade de Chivay, nosso próximo destino, foi recheado de momentos incríveis. Cruzamos por incontáveis vulcões, entre eles o famoso vulcão Misti, que pode ser avistado da cidade de Arequipa e atingimos a maior altitude em nossa viagem até o momento: 5.022 metros acima do nível do mar.

Nossa maior altitude até o momento: 5.022 metros acima do nível do mar.

Um feito que comemoramos muito, apesar da dificuldade para respirar e curtir o visual impressionante. Contudo, o que realmente nos fez perder o fôlego foi a Reserva de Salinas e Aguada Blanca, uma das reservas mais importantes do sul do país.

A reserva abriga um infinidade de animais típicos, como as Vicunhas, as Alpacas e as Lhamas e é um verdadeiro oásis em meio à uma região muito árida e completamente hostil.

Deste ponto, até a cidade de Chivay, as descidas eram intermináveis, até que paramos na casa dos 3.700 metros de altitude.

Localizada no ponto inicial do famoso Cânion del Colca, Chivay é uma pequena e tradicional cidade peruana, com todos os traços remanescentes da cultura andina. Ficamos três dias por lá e pudemos vivenciar experiências únicas, completamente inesperadas.

O Cânion del Colca é uma gigantesca obra da natureza. Considerado o segundo cânion mais profundo do mundo, com cerca de 4.160 metros de profundidade, o Colca é simplesmente impressionante.

As terras no fundo do gigantesco Cânion del Colca.

Nunca, em nossas vidas, tivemos a oportunidade de cruzar uma estrada com um abismo tão profundo ao lado. Uma sensação indescritível poder contemplar os seus paredões a perder de vista.

Mochileiro ao lado dos imensos precipícios do Cânion del Colca.

Além disso, o Cânion del Colca é o lar de umas aves mais lendárias e mitológicas: o famoso Condor-dos-Andes. Infelizmente, nas duas oportunidades que tivemos, não conseguimos presenciar de perto este gigante, que é considerado a maior ave voadora do mundo.

Muitas vezes, por horas ou por poucos dias, perdemos algo que tanto gostaríamos de conhecer, como foi o caso do Condor-dos-Andes. Contudo, em muitas outras vezes, somos contemplados com momentos que nunca pensamos que fôssemos presenciar!

Desta vez, a história foi bem assim:

Retornávamos da tentativa frustrada de fotografar o Condor, quando, de repente, nos deparamos com um grupo de pessoas vestidas à caráter, no pequenino vilarejo de Maca, às margens do Rio Colca.

Era o dia em que toda a cidade se unia para celebrar a Festa de NOSSA SENHORA da CANDELÁRIA.

Paramos o carro e, a partir de então, começamos a participar da festividade também. Não conseguíamos acreditar que estávamos bem ali, no lugar certo, no dia certo e na hora certa.

Dois rapazes vestidos à caráter para a Festa de Nossa Senhora da Candelária.

Foram momentos inesquecíveis, acompanhando o cortejo por toda cidade.

No caminho de volta para Chivay, em uma das estradas de terra da região, nos deparamos com uma Senhora, bem idosa, tocando algumas ovelhinhas.

A Dona Maria tocando as ovelhinhas.

Paramos o carro novamente e logo nos dirigimos para conversar um pouco com a Senhora. Ela se chamava Maria, tinha 83 anos e suas mãos calejadas e os pés machucados denunciavam uma vida inteira devotada à lida diária com a terra e as criações.

Dona Maria nos contou um pouco de sua história, de suas mais de oito décadas na região de Colca e, no meio da conversa, interrompeu uma pergunta que fizemos para seguir tocando as ovelhas, pois o dia logo começaria a escurecer.

Entramos novamente no carro, passamos por ela e nunca mais nos esqueceremos do aceno que fez para nós, como se abençoasse o nosso caminho por estas terras.

O último aceno.

Voltamos para Chivay pensativos, reflexivos, sem ter ideia de tudo o que tínhamos vivenciado este dia e quão valiosos ensinamentos aprendemos sobre a vida.

Hoje, entendemos bem porque não vimos o Condor-dos-Andes. Não que ele não tenha gostado de nossa presença ou algo do tipo, mas sim porque, certamente, algo muito especial já estava reservado para nós.

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