A cidade mais famosa do Peru é realmente encantadora. Cusco (Cuzco) ou, em língua Quechua, Qosqo, que significa “o umbigo do mundo”, é uma cidade com séculos e mais séculos de história.

Tida como a capital do Império Inca, um dos sete maiores impérios do mundo antigo, Cusco impressiona por seu centro histórico extremamente conservado e multi-cultural, mesclando com perfeição a arquitetura espanhola com resquícios das antigas construções Incas.

Anoitecer em Cusco, a antiga capital do império Inca.

Que diga-se de passagem, foi um império gigantesco. Os seus domínios se estendiam desde o atual território colombiano até a região norte da Argentina, estando interligados por uma rede de caminhos impressionantes. Segundo reza a lenda contada na cidade, os soberanos do império Inca comiam, com bastante frequência, peixes de água salgada frescos, que vinham do Oceano Pacífico, distante cerca de 700 quilômetros da cidade. Para isto, contavam com o trabalho especializado e ágil dos antigos “carteiros”, que eram os responsáveis por levarem encomendas ou mensagens de um ponto a outro do império.

É impossível não se encantar por Cusco. Em uma de suas ruelas, no antiquíssimo bairro de San Blas, encontra-se a famosa Pedra de 12 ângulos, um dos símbolos do avançado conhecimento de engenharia dos Incas. É difícil, até imaginar, como os Incas conseguiram cortar e encaixar estas pedras imensas, que pesam várias toneladas, com tamanha perfeição. No mínimo, podemos considerá-las verdadeiras obras de arte da engenharia.

A incrível Pedra dos 12 ângulos e os seus encaixes perfeitos.

De outro lado, a Plaza de Armas, que concentra muitos restaurantes, agências de turismo e belíssimas Igrejas é o ponto de encontro de viajantes do mundo todo. Vendedores de todos os tipos de artesanato caminham freneticamente atrás dos turistas. Tem hora que é até difícil se desvencilhar dos vendedores, pois somos cercados por todos os lados. Nos sentimos em uma verdadeira guerra comercial. É surreal.

Outra característica marcante de Cusco (e de todo o Peru) é a quantidade alucinante de buzinas. Taxistas enlouquecidos por passageiros, buzinam pra qualquer um que está parado ou caminhando pelas calçadas, mesmo que você esteja contemplando as estrelas do céu.

Dirigir em Cusco foi uma das maiores aventuras da viagem, até o momento. Nas duas vezes que encaramos o trânsito da cidade (a primeira, no dia de nossa chegada e a última, no dia de nossa partida) vivemos momentos de muita adrenalina em meio às ruas estreitas de Cusco. Em uma delas, entramos em uma rua sem saída, extremamente apertada e, para fazer o retorno, ficamos por mais de 30 minutos manobrando o Mochileiro, pois era impossível fazer o caminho de ré, de tanto carro buzinando atrás de nós.

Ainda estávamos nos acostumando com os buzinaços no Peru e, em Cusco, tivemos que nos adaptar na marra.

Mas, não é só de buzinas que vive Cusco e o Peru. A região guarda inúmeras outras riquezas históricas magníficas, como o incrível Vale Sagrado dos Incas.

O caminho de Cusco até as cidades de Urubamba e Ollantaytambo é impressionante, cruzando altitudes acima dos 4 mil metros acima do nível do mar.

É no Vale Sagrado que se localizam sítios arqueológicos impressionantes, como Moray e as Ruínas de Ollantaytambo. Além destes sítios incríveis, a região abriga uma das Salinas mais antigas do mundo, as Salinas de Maras, que têm mais de dois mil anos de existência e, até hoje, o sal é extraído por moradores locais, que utilizam técnicas completamente rudimentares.

As Salinas de Maras.

Além de visitar estes destinos surpreendentes, a nossa ida para o Vale Sagrado teve um outro importante motivo: de lá, seguiríamos rumo à cidade perdida de Machu Picchu.

Um pouco do nosso caminho para Machu Picchu.

O caminho até Machu Picchu é magnífico, mas descreveremos tudo no próximo post. Por enquanto, ficamos com as lembranças de Cusco e das intermináveis buzinas da cidade.

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