Chegamos em Nasca, depois de dois dias intermináveis ao longo do caminho que liga esta cidade à Cusco. Os momentos que passamos nestes 650 quilômetros foram indescritíveis e não saiam de nossos pensamentos.

As paisagens que cruzamos antes de chegarmos em Nasca.

Já era tarde, passava das oito horas da noite, quando paramos o carro no centro de Nasca. Vimos algumas agências que vendiam os voos sobre as enigmáticas figuras e linhas da região, e logo fomos em busca de alguns orçamentos.

Já sabíamos que este era um passeio fora de nosso padrão financeiro da viagem, mas não custava nada tentar. Conversa com um, conversa com outro, chora um desconto aqui e outro ali e nada. O melhor preço que conseguimos foi de 75 dólares por pessoa, o que estava completamente fora de nosso orçamento.

Contudo, antes de chegarmos em Nasca, sabíamos que, caso o plano A não funcionasse, partiríamos para o plano B, que seria observar algumas figuras através de um mirante, construído há alguns anos atrás.

E lá fomos nós. O mirante de cerca de 15 metros de altura está localizando a apenas 20 quilômetros ao norte de Nasca, bem ao lado da Rodovia Pan-americana.

A vista que se tem do mirante. De um lado a figura da árvore e, do outro, a rodovia pan-americana.

Infelizmente, o mirante nos possibilita enxergar apenas três figuras, das dezenas existentes, e ter uma vaga noção das famosas linhas de Nasca. Este é o preço que pagamos por andar com o orçamento bem controlado. Certas vezes, temos que abrir mão de coisas que tanto desejamos, em prol da sustentabilidade financeira da viagem.

Contudo, o pouco que pudemos ver e presenciar frente a frente, nos deixou completamente intrigados. Interessados no assunto, ficamos ainda mais estupefatos quando começamos a estudar sobre os enigmas do povo Nasca.

As linhas e os Geoglifos de Nasca remanescem até hoje como uma das obras mais misteriosas das antigas civilizações.

Localizadas em meio à um deserto sem fim, a região abriga dezenas de geoglifos, que são desenhos imensos feitos no chão, e as famosas linhas, que são gigantescos traços em linha reta.

Estas figuras, conforme os estudos científicos feitos na área, datam de, aproximadamente, 400 anos depois de Cristo e medem até 200 metros de comprimento.

Há desenhos de mãos, árvores, lagartos e outros muito misteriosos, como a baleia, o macaco e uma figura de um homem, conhecida como o Astronauta. Pra se ter uma ideia, a região de floresta mais próxima se localiza a centenas de quilômetros, o que sempre levantou inúmeras dúvidas sobre a figura do Macaco.

Em destaque, a figura das duas mãos.

A teoria mais aceitada atualmente afirma que o povo Nasca criou as figuras para que os seus Deuses pudessem observá-las do céu. Contudo, outros pesquisadores afirmam que o objetivo das figuras foi astronômico, ou seja, de apontar onde o Sol e os outros corpos celestes nascem ou se põem, uma espécie de mapa astronômico. Há inclusive as teorias mais alternativas, que dão conta do contato destes povos com seres extraterrestres.

Enfim, independentemente do objetivo e propósito das figuras, ficamos impressionados com os feitos enigmáticos dos Nasca.

Voltamos para a cidade e incontáveis dúvidas rondavam nossas mentes.

Cruzando por uma estrada paralela, vimos de relance uma placa que indicava o caminho para os Acuedutos de Cantalloc. Não tínhamos lido ou ouvido falar sobre o lugar, mas decidimos arriscar.

Assim que chegamos, tivemos a certeza que fizemos a escolha certa. Construídos há quase 2 milênios também pelos povos Nasca, os aquedutos tinham por objetivo captar a água do subsolo e levá-la até a superfície, já que a região é uma das áreas mais desérticas do mundo.

Até hoje, os aquedutos ainda são utilizados e grande parte da água que abastece Nasca foi obra do conhecimento de milênios atrás.

Se faltava algum motivo para nos deixar ainda mais impressionados, depois desta visita não faltaram mais.

Partimos rumo ao norte do Peru e levamos conosco, em nossa bagagem, um pouco do conhecimento e dos enigmas deixados pela civilização Nasca.

2 COMENTÁRIOS

    • Fala Fred, tudo bem?
      Nossa, amigo, não temos palavras pra descrever as noites estreladas de Nasca! São simplesmente perfeitas! =)
      Grande abraço dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

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