A Nicarágua reservou grandes momentos para nós.

Desde a Ilha de Ometepe às Isletas de Granada, nossa paixão pelo país ganhou contornos de amor à primeira vista.

Contudo, uma das mais inacreditáveis experiências dos mais de sete meses de volta ao mundo, ainda estava reservada para nós: o Vulcão Masaya.

É possível chegar bem na borda da cratera. Na imagem, os amigos Paula e Nico, que estavam viajando conosco desde a Ilha de Ometepe.

A Nicarágua faz parte do chamado Cinturão Vulcânico da América Central, que é um conjunto de vulcões que inicia na Costa Rica (Irazú) e termina na Guatemala (Tacaná). Se deparar com um vulcão à beira da estrada ou margeando uma cidade, é muito mais comum do que imaginávamos.

Dentre todos estes vulcões, um dos mais temidos e conhecidos é o Masaya, localizado a somente 20 quilômetros a sul de Manágua, a capital do país.

Ouvimos falar sobre a possibilidade de chegarmos às bordas da cratera do Masaya e logo tratamos de conferir. Por ficar aberto até às oito horas da noite, decidimos seguir no fim do dia para o Parque Nacional do Vulcão Masaya.

Quando chegamos na entrada do parque, havia alguns carros e vans que estavam enfileirados, esperando pela abertura dos portões. Como o acesso ao parque é controlado e permitem somente um tempo de 15 minutos por grupos de visitantes, tivemos que esperar pacientemente pela nossa hora.

Já se passavam das sete horas da noite quando liberaram o grupo que fazíamos parte. Aceleramos o motor e organizamos o equipamento fotográfico, pois o curto tempo estava contra nós.

À medida que subíamos a estrada rumo ao vulcão, uma intensa luz começava a cobrir as nuvens em tons alaranjados.

Uma foto especial do Mochileiro ao lado do Vulcão Masaya. Nosso registro preferido na América Central.

No topo, paramos o Mochileiro e logo começamos a ouvir o intenso ruído do vulcão, como se uma tempestade estivesse se formando em seu interior. Contudo, quando chegamos na borda, foi impossível conter os rostos espantados, por presenciarmos esta cena pela primeira vez na vida.

Intensos rios de lava fervente corriam no interior do vulcão, gerando pequenas explosões a cada segundo e emitindo uma intensa luz alaranjada.

Contemplávamos o interior do vulcão, com os pensamentos tão distantes quanto as imagens que presenciávamos à nossa frente. Como é possível isto? Isto é um sonho ou, de fato, estamos contemplando estes rios de lava? A verdade é que nossos pensamentos estavam tão vagos, tão distantes, que até nos esquecemos que os 15 minutos se esgotaram.

Fomos obrigados a deixar a cratera do Masaya, mas com um intenso desejo de ficar por mais alguns instantes, mesmo que fossem apenas segundos.

Fomos embora cabisbaixos, até que a Sabrina teve uma ideia brilhante: porque não pedir o responsável da entrada pra nos deixar subir novamente com o último grupo? Como diz o meu pai, “tentar não faz mal, pois o NÃO nós já tínhamos”.

Descemos alguns quilômetros em completa angústia e, assim que chegamos à portaria, nos enchemos de alegria novamente. O oficial liberou o nosso retorno e, lá fomos nós, seguindo o último pequeno grupo do dia.

Desta vez, pudemos ficar por mais de 30 minutos contemplando a cratera do Masaya, sem que ninguém nos obrigasse a ir embora.

A indescritível cratera do Vulcão Masaya, batizada pelos antigos povos como a “Boca do inferno”.

Os ruídos do vulcão ficaram ainda mais intensos, como se nos hipnotizassem de alguma forma, atraindo o nosso olhar e os nossos pensamentos para a sua gigantesca magnitude.

Estávamos diante de uma das obras mais temidas e desconhecidas da natureza, batizada pelos antigos povos como a “Boca do inferno”. 

Até hoje, é impossível não se recordar tão intensamente das imagens que registramos esta noite. Os sons, os pensamentos vagos e a sensação de pequenez perante à natureza são tão vivas quanto os rios de lava do Masaya, o destino mais surreal de nossas vidas.

8 COMENTÁRIOS

  1. Destruíram o Um Anel ou preferiram guardar o precioso? rs
    Brincadeiras á parte, fiquei boba com as fotos. Acompanho muita gente que está fazendo a passagem pela América Central mas nenhum deles tinha ido neste local!
    Obrigada por compartilhar conosco!
    E fico no aguardo do vídeo. Achei o canal de vocês no youtube mas está sem vídeos há algum tempo. Não desiste de lá não. Pelo menos uma vez a cada duas semanas façam um vídeo-resumo da viagem de vocês. O engajamento por vídeo é muito legal.
    No mais, boa viagem!

    • Olá Juliana Moreli, tudo bem?
      rsrs, olha que deu vontade mesmo de jogar um anel, mas preferimos guardar o nosso precioso!! rsrs.
      Quando nos perguntam sobre o Vulcão Masaya, a única recordação que me vêm à mente são aqueles momentos que vivi na borda de sua cratera, simplesmente sem entender o que estava acontecendo à minha frente.
      Confesso que nunca imaginei que fosse ver o interior de um vulcão, o que tornou esta experiência a mais surreal de toda a minha existência.
      Estamos a todo vapor trabalhando no Youtube, pois pretendemos reativar os nossos vídeos e publicar com uma certa freqüência! =)
      Muito obrigado pelo carinho e pela companhia sempre, Juliana! =)
      Abraços dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

  2. Sabrina, voce deveria ter registrado um video pra gente ouvir esse som…. que loucuraaaa muito doidoooo. rsrsrs
    Qual era a sensação térmica ?

    • Olá querida amiga Marilene, tudo bem?
      Nós registramos um vídeo dos sons do vulcão e em breve vamos divulgá-lo!! =) É simplesmente sensacional.
      Fazia um pouco de calor, mas menos do que esperávamos! Creio que entre 30 a 35 graus Celsius.
      De vez em quando até batia uma brisa leve, que logo era ocultada pela força do vulcão.
      Uma experiência inesquecível, Marilene! =)
      Abraços dos amigos,
      Sabrina e Henrique.

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