Em uma viagem de volta ao mundo, as mudanças se tornam tão intensas que, com o tempo, vamos nos tornando verdadeiros camaleões. Temos que nos adaptar rapidamente às mudanças drásticas de clima, de idiomas ou sotaques, de culturas e de paisagens.

Quando começamos a entrar na zona de conforto de um lugar, de repente tudo muda.

E assim aconteceu quando chegamos na Cidade do México. Já estávamos há muito tempo cruzando somente por cidades menores, tanto na América Central, quanto nas regiões mexicanas de Quintana Roo e Yucatán. Entrar em uma cidade que possui a quinta maior aglomeração urbana do mundo girou o nosso mundo de cabeça pra baixo.

A tranquilidade desta imagem, captada no Zócalo, o Centro Histórico da Capital, contrasta fortemente com o gigantismo da metrópole mexicana.

Mas, com o tempo, começamos a cultivar um carinho especial pelo caos da capital mexicana. Nunca imaginei que iríamos nos acostumar novamente com o trânsito, a poluição e o rush de uma cidade grande.

Toda aquela vida passando aos nossos olhos. Milhares de pessoas indo de um lado para outro, turistas visitando museus e monumentos, vendedores gritando na rua, crianças saindo da escola correndo. Bem, todo esse caos urbano da Cidade do México foi estranhamente incrível para nós.

Para começar, ficamos hospedados em três regiões totalmente diferentes da cidade. Esse foi um aprendizado precioso que tomaos após meses de viagem.

Ao visitar cidades grandes, a coisa mais gostosa é ficar em bairros distintos. Só assim conseguimos viver uma experiência mais completa da vida naquele lugar.

Coyoacán, o bairro mais charmoso da capital mexicana

O primeiro bairro que ficamos foi Coyoacán. Uma tradicional região histórica da capital, que abriga algumas das ruas mais antigas das Américas. Mas, como assim, das Américas? Quando Hernán Cortez, colonizador espanhol, instalou sua base no México, foi em Coyoacán que ele começou a colonização do continente.

E a história deste bairro não parou por aí. Nele viveram os pintores Frida Kahlo e Diego Rivera, os maiores expoentes da arte moderna do México. 

Coyoacán é um bairro com pouquíssimos prédios ou hotéis. A maioria das construções são tradicionais casas, entre elas algumas guest houses. Ficamos hospedados na Casa Jacinta e de lá pudemos conhecer todo o bairro a pé. Isso realmente pode ser considerado um verdadeiro luxo nesta imensa capital.

A primeira parada que fizemos foi no Museu da Frida Kahlo. Este espaço era a antiga casa da família Kahlo, onde Frida e Diego moraram durante toda a sua vida de casados.

Conhecendo o Museu da Frida Kahlo

A Casa Azul, como também é conhecida, guarda segredos e peculiaridades da vida do casal, pinturas e esculturas dos artistas e até mesmo os curiosos figurinos que a pintora vestia.

Frida foi uma mulher controversa. Filha de um fotógrafo judeu e uma religiosa mexicana, Frida teve uma vida sofrida devido a vários problemas de saúde. Quando pequena, contraiu uma doença que deixou sequelas para toda a vida. Na adolescência, sofreu um acidente de bondinho que a fez ficar de cama por meses. Todos esses problemas se manifestaram de forma gritante em suas obras e personalidade.

Conhecida por sua “insurgência” frente os anos 30 e 40, Frida deixou um legado artístico impressionante, mesmo com todas as dificuldades físicas que a acompanharam durante a sua vida.

Foi muito interessante conhecer de perto a casa onde ela morou. Depois de descobrir mais sobre a sua história, saímos do museu com a impressão de que a Frida – com monocelha, roupas alegóricas e atitudes extravagantes – não foi um personagem. Kahlo foi realmente uma mulher que expressou intensamente as amarguras da sua vida e soube como poucos valorizar suas raízes mexicanas.

Uma de suas pinturas mais icônicas, Viva La Vida!

No museu, nos impressionamos também com as obras de Diego Rivera. Não é atoa que ele é considerado o mais importante pintor mexicano. As lindas pinturas de Rivera nos prendiam a atenção de uma forma muito interessante.

Saímos do museu e fomos passear na praça de Coyoacán, ao entardecer. Poucos turistas rodeavam a região, que tem um grande movimento de moradores locais. Por isso mesmo, as barraquinhas tradicionais de rua eram muito mais atraentes que os restaurantes. Provamos os picantes elotes, que é uma espécie de milho super apimentado, os famosos churros mexicanos e o maior hambúrguer que já comemos.

Satisfeitos e super empolgados com o que vimos em Coyoacán, mudamos para o bairro Nápoles e de lá saímos para explorar o Museu de Antropologia.

Encantados com o Museu de Antropologia

Outro destino que nos deixou impressionados na Cidade do México foi este Museu. Com um acervo riquíssimo de diversas culturas que povoaram o país, o sul dos Estados Unidos e o norte da América Central, o Museu guarda algumas das peças mais valiosas e conhecidas da cultura Azteca, Maya e Teotihuacan.

Comida Brasileira na Cidade do México 

Depois de horas visitando todas as salas do museu, saímos famintos. Decidimos seguir as dicas do nosso amigo Breno Galvão e visitar um bar brasileiro.

Já estávamos há mais de oito meses fora do Brasil e só de ver no cardápio as palavras coxinha e picanha, ficamos muito emocionados.

Guaraná Antarctica com Escondidinho de carne seca.

Pedimos tudo o que tínhamos direito e matamos a saudade da nossa comidinha brasileira. Até mesmo um bom Guaraná Antarctica bebemos! Foi o refrigerante mais caro que já tomamos em nossas vidas, quase dez reais a lata, mas valeu muito a pena.

Basílica de Guadalupe

Um dos destinos mais encantadores da Cidade do México é a Basílica de Nossa Senhora de Guadalupe.

Considerado o segundo Santuário Católico mais visitado do mundo, somente atrás da Basílica de São Pedro, no Vaticano, a Basílica de Guadalupe recebe cerca de 20 milhões de fiéis e turistas por ano e guarda riquezas históricas e religiosas incalculáveis.

E, assim, foram os nossos dias na Cidade do México, completamente surpreendidos por esta gigante metrópole, que tão bem nos recebeu, mesmo sabendo que já não estamos mais acostumados com cidades tão grandes.

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