Os nossos primeiros quilômetros pela Baja Califórnia nos mostraram um pouco do que estava por vir.

Assim que desembarcamos em La Paz, a capital do estado da Baja Califórnia Sul, já fomos surpreendidos por paisagens incríveis do Mar de Cortez. Ainda estávamos sonolentos com a cansativa viagem desde Mazatlán, mas as cores incríveis do oceano, contrastando com as paisagens áridas da região, nos despertaram para o começo desta nova jornada pelo México.

Mochileiro pelas estradas da Baja Califórnia.

O nosso primeiro destino na Baja Califórnia foi a famosa região de Los Cabos, em Cabo de San Lucas, no extremo sul da região.

Conhecida por abrigar luxuosos hotéis e casas de famosos artistas do cinema mundial, Cabo de San Lucas caiu no gosto dos turistas americanos.

Em suas praias, é praticamente impossível ouvir o espanhol, mesmo quando somos abordados por trabalhadores locais. A sua demasiada agitação e o elevado custo de vida, abreviaram a nossa passagem por lá, mesmo sabendo que a região esconde praias incríveis.

De Cabo de San Lucas, voltamos para La Paz, onde passamos mais um dia, na tentativa de fazermos um passeio com o intuito de conhecermos os inusitados Tubarões-Baleias, tidos como os maiores peixes dos sete mares.

Contudo, com a alta temporada, veio também os aumentos abusivos nos preços. Tivemos que seguir viagem e abrir mão deste passeio, afinal impactaria demais em nosso orçamento.

O nosso destino seguinte era a pequena cidade de Loreto. Contudo, a nossa ideia, inicialmente, seria apenas passar um dia por lá, já que o nosso objetivo maior pela Baja Califórnia era parar na Bahía Concepción, uns 150 quilômetros ao norte de Loreto.

Entretanto, nem sempre os nossos caminhos saem como planejamos e esta é a grande magia de uma longa viagem pelo mundo.

Final de tarde mágico em Loreto, Baja Califórnia.

Em Loreto, tivemos a oportunidade de conhecer uma mulher muito simpática, a Lupita, que logo, sabendo de nossa história, tratou de oferecer a sua pousada por um preço super acessível.

Tínhamos a ideia de acampar por lá, contudo a proposta tentadora aliada ao intenso calor que fazia, chegando a ultrapassar a casa dos 45 graus Celsius durante o dia, nos fez considerar a oferta da Lupita.

A sua aconchegante pousada, com cozinha e todo o espaço que precisávamos para nos sentir em casa novamente, nos cativou. De cara, desistimos da ideia de ficar um dia apenas e, por fim, acabamos ficando uma semana em Loreto.

Era certo que ficaríamos mais tempo, caso não tivéssemos data para chegar nos Estados Unidos, já que a família da Sabrina estava a caminho para nos visitar.

Havia muito tempo que uma região não nos fisgava desta forma, despertando uma intensa felicidade por estarmos ali, contemplando as paisagens magníficas de seu litoral. Nos sentíamos tão bem que, algumas vezes, nos pegávamos discutindo como seria a nossa vida se morássemos neste pedacinho do paraíso.

Pôr do sol em Loreto.

Por sete fins de tarde sucessivos estivemos bem ali, contemplando o pôr do sol, as cores magníficas do entardecer, os animais que nos rodeavam e a movimentação dos pescadores locais.

Tudo isto fazíamos pedalando, como há um bom tempo atrás, quando ainda tínhamos as nossas bicicletas no interior de Minas Gerais.

Como foi difícil seguir viagem e deixar Loreto para trás. Creio que foi a primeira vez que vivenciamos este sentimento ao longo da viagem, comparável ao dia que deixamos as nossas cidades no Brasil, rumo ao desconhecido.

Em Loreto, nós gastamos a maior parte do tempo que tínhamos disponível para a Baja Califórnia. Não haviam muitos dias até que os pais da Sabrina chegassem para nos visitar, em Los Angeles, e tínhamos que acelerar o passo.

Não conseguimos ficar o tempo que desejávamos na incrível Bahía Concepción, possivelmente a região mais impressionante da Baja Califórnia. Contudo, os dois dias que estivemos por lá, cruzando as suas estradas rentes ao Mar de Cortez e nadando em suas águas quentes e cristalinas, foram o suficiente para nos deixar apaixonados, certos de que deveríamos deixar estes destinos anotados em nossa agenda, bem no topo dos lugares que sonhamos retornar algum dia.

O restante da Baja Califórnia foi de muita estrada e intenso calor. De Guerrero Negro rodamos quase 400 quilômetros sem encontrar um posto de combustíveis sequer, o que nos fez programar as nossas reservas e levar dois tanques de 20 litros cheios.

No meio do caminho, inusitadamente paramos em um posto abandonado, que serviu de base para enchermos o tanque do Mochileiro, além de funcionar como uma boa sombra, tão rara quanto água em meio ao árido deserto da Baja.

Os nossos dias pelo México estavam chegando ao fim. A nossa última noite, em Ensenada, foi de grande nostalgia, por sentirmos que estávamos deixando um país que tanto nos apaixonamos.

Era hora de seguir em frente e cruzar o muro, que separa dois mundos completamente diferentes. Esta é a magia de um longa jornada pelo mundo. Chegou a hora de largamos o conhecido e abraçarmos o desconhecido novamente.

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