A Baja Califórnia é um destino que sempre esteve em nossos sonhos.

Considerada uma das regiões mais bonitas e isoladas do México, até mesmo por conta de sua geografia, que a faz ser banhada por dois mares, o Pacífico à oeste e o Mar de Cortez à leste, a Baja Califórnia é praticamente inacessível para quem viaja de carro vindo da América Central, como é o nosso caso.

Uma das praias mais incríveis da Baja Califórnia, na Bahía Concepción.

 

Se quiséssemos acessar a Baja Califórnia de carro, sem a necessidade de um transporte marítimo, teríamos que dirigir desde Mazatlán, local de onde partem os navios e ir até o norte, nas proximidades de Mexicali, já na fronteira com os Estados Unidos e, posteriormente, descer toda a região da Baja, até chegarmos ao extremo sul, em Cabo de San Lucas.

Toda esta volta acrescentaria mais de três mil quilômetros em nossa viagem, o que tornaria a Baja Califórnia uma opção praticamente inviável.

Sendo assim, a alternativa de cruzar de ferry, desde Mazatlán, no estado de Sinaloa, até La Paz, na Baja Califórnia, foi a solução que encontramos para não deixar esta incrível região de fora de nosso roteiro.

A travessia, que dura mais de 12 horas cruzando uma boa extensão do Mar de Cortez, não é muito barata, mas ainda é mais viável do que a opção de seguir por terra.

No caminho para Mazatlán, desde Guadalajara, no estado de Jalisco, cruzamos por imensas barreiras do exército e, em diversas vezes, fomos parados e vistoriados. Foi quando demos conta que estávamos atravessando os dois estados mais críticos do país, Jalisco e Sinaloa.

Desde a prisão do famoso traficante de drogas mexicano, El Chapo, o então poderoso cartel de Sinaloa perdeu grande força, o que fez surgir novos grupos dentro do país, entre eles a Jalisco Nueva Generación.

Deste momento para frente, a violência e o número de homicídios se multiplicaram no México, com a intensa disputa por territórios, o que levou o país a emplacar inúmeras cidades entre as mais violentas do mundo.

Cruzar esta região de carro é, de fato, um pouco tenso. Em cada curva, vários caminhões repletos de combatentes do exército, armados com equipamentos muito pesados, faziam a segurança das estradas.

Nós, que andávamos com um problema e outro com o Mochileiro, rezávamos para que o carro não quebrasse por ali. Ter que repará-lo neste caminho ou até mesmo correr o risco de escurecer parado à beira da estrada, não nos parecia uma boa ideia.

Felizmente, antes do entardecer, chegamos em Mazatlán, aliviados por encontrar um bom lugar para dormir, enquanto esperávamos a nossa travessia de ferry, que seria no dia seguinte.

Pôr do sol na linha do trem em Mazatlán, Sinaloa.

Pelo fato de viajar durante à noite, o ferry que faz a travessia entre Mazatlán e La Paz oferece a opção de aluguel de quartos privativos, com banheiros e ducha. Em nosso caso, esta opção estava descartada, já que somente a travessia já nos geraria demasiados custos.

Alguns dias atrás, havíamos conversado com o nosso amigo Breno Galvão, que poucas semanas antes havia realizado esta travessia e colhemos informações muito preciosas com ele.

Chegamos no porto às três horas da tarde, horário recomendado pela empresa, a Baja Ferries, e logo entramos em um fila gigantesca, que durou por horas.

Passamos pela pesagem, por uma revista com cães farejadores e, por fim, uma vistoria fitossanitária. Já se passavam das seis da tarde quando conseguimos embarcar o Mochileiro e subir para as cabines do ferry.

O gigantesco ferry que nos levou rumo à Baja Califórnia.

 

Seguindo o conselho do nosso amigo Breno, levamos nossos isolantes térmicos, sacos de dormir, travesseiros, lençóis e cobertor. Durante à noite, quando o sono começou a apertar, montamos o nosso acampamento no chão e dormimos por horas e horas a fio. Assim como nós, inúmeros outros passageiros estavam espalhados pelo chão, enquanto outros se enrolavam nas desconfortáveis cadeiras.

A noite foi menos longa que imaginávamos, pois levamos os equipamentos certos para garantir boas horas de sono.

Quando o ferry atracou, descemos para o porão, com o intuito de tirar o Mochileiro e seguirmos viagem. Os trâmites de desembarque são tão ou mais burocráticos que os de embarque, o que nos fez esperar por umas três horas, até que estivéssemos liberados para botar o pé na estrada, o que só foi possível depois de duas revisões do exército.

Os nossos primeiros quilômetros na Baja Califórnia.

 

Tudo finalizado e com os papéis carimbados, começamos a nossa jornada pela Baja Califórnia, que reservaria alguns dos momentos mais inesquecíveis de nossa volta ao mundo de carro.

Dicas para quem vai cruzar para a Baja Califórnia de Ferry:

  • A empresa que realiza a travessia, tanto de Mazatlán para La Paz, quanto no sentido contrário, é a Baja Ferries.
  • Você pode comprar as passagens online, pelo site da empresa. Clique aqui e agende sua viagem.
  • As viagens são normalmente de dois em dois dias, sendo importante programar o seu roteiro com alguma antecedência.
  • Chegue no porto de embarque com pelo menos três horas de antecedência.
  • Você pode reservar um quarto privativo, com banheiro e ducha, caso seja de seu interesse.
  • A empresa oferece um jantar simples e um pequeno café-da-manhã. De qualquer forma, é conveniente levar alguns snacks e água.
  • Caso opte por não alugar o quarto, leve seus equipamentos de camping (isolante térmico, sacos de dormir, lençóis, cobertores e etc.) e monte o seu acampamento nos corredores. Muitas pessoas fazem isto e é totalmente liberado.
  • Leve alguma blusa de frio, pois o ar condicionado do ferry pode esfriar bem durante a madrugada.
  • As cabines possuem televisores que ficam passando filmes até à meia noite, quando elas são desligadas.
  • Não há como tomar banho se você não adquirir algum quarto privativo.
  • A viagem dura mais de 12 horas.
  • O desembarque também é demorado, por conta de todo o movimento de saída de veículos e também por conta das vistorias do exército.

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