Quem viaja de carro sabe que uma das partes mais chatas e burocráticas de uma expedição é cruzar de um país para o outro.

Sempre que precisamos atravessar uma fronteira, chegamos a até perder o sono na noite anterior. Isto porque, a cada novo país que entramos, vamos colecionando histórias engraçadas, estressantes e bizarras.

O momento mais temido: cruzando a fronteira do México para os Estados Unidos.

Assim foi por toda a nossa passagem na América Latina: horas e horas de filas embaixo do Sol, revistas de policiais mal-educados, inspeções sanitárias, taxas caríssimas e uma série de outras complicações.

Devido a esse infeliz histórico e também à ansiedade de passar pela rígida imigração estadounidense, ficamos muito nervosos para cruzar do México para os Estados Unidos.

Como estávamos na Baja Califórnia, poderíamos escolher entre três fronteiras para sair do país. Elegimos a cidade de Tecate, que é bem menos movimentada que a famosa Tijuana e não teríamos que desviar tanto o caminho.

De um lado o México e, do outro lado, os Estados Unidos, em frente aos polêmicos muros que separam os dois países.

Assim que chegamos na Aduana ficamos surpresos ao descobrir que não precisaríamos fazer a saída oficial do país. Bastava apenas cruzar a fronteira.

Entretanto, no momento em que ingressamos no México, no final do mês de maio, pagamos uma taxa referente à importação temporária do carro, no valor de 300 dólares americanos.

Na época, todo o procedimento foi feito corretamente e nos avisaram que, ao sair do país, bastava apresentar o documento que o dinheiro automaticamente seria devolvido.

Infelizmente, não foi bem assim que aconteceu. Quando fomos solicitar a devolução do dinheiro, os oficiais dificultaram ao máximo a nossa vida, não aceitando a placa com o número de chassi que ingressamos no país.

Alegamos que tudo estava correto quando entramos no México e, caso houvesse alguma inconformidade, eles deveriam ter nos avisado no momento de nossa entrada. Contudo, nada os fazia devolver o nosso dinheiro.

Depois de mais de três horas na fronteira, quando já estávamos quase desistindo que teríamos o nosso dinheiro de volta, um dos chefes da aduana autorizou a devolução, como se estivesse “abrindo uma exceção”, após uma grande pressão que começou a receber de mexicanos que passavam pelo local e se revoltavam com a situação.

No fundo, a ideia era nos cansar fisicamente e mentalmente, ao ponto de deixarmos o dinheiro para trás. Contudo, se esqueceram que os brasileiros não desistem nunca e vão até o fim para alcançar os seus objetivos!

Missão cumprida no México, seguimos rumo aos Estados Unidos, com a esperança de encontrar uma recepção menos burocrática.

Menos burocracia nos Estados Unidos?

Entretanto, a nossa entrada no país foi um tanto quanto confusa e completamente diferente de todas as abordagens que recebemos nos demais países das Américas.

A princípio, fomos recebidos gentilmente por um oficial, que nos orientou sobre o que deveríamos fazer. Contudo, tudo mudou quando pegamos uma entrada errada e, ao tentar retornar, o mesmo oficial que nos abordou alguns minutos atrás, largou a gentileza de lado e incorporou a ignorância e arrogância.

Como não recebemos nenhuma orientação de como prosseguir, acabamos nos perdendo e entrando no país sem passar pela imigração! Ficamos ilegais nos EUA por alguns minutos e recebemos um bronca e tanto por conta disso!

Quem já viajou de carro no exterior sabe que a imensa maioria das fronteiras são confusas e tomar caminhos errados ou se perder faz parte do processo.

Ilegais nos EUA por alguns minutos.

Ao perceber a situação, outro oficial, muito mais cordial que o primeiro, tratou de pedir desculpas pelo ocorrido, dizendo que seu colega havia exagerado.

O restante do processo seguiu os trâmites normais. Poucas perguntas, muita seriedade e organização e poucos sorrisos nos mostravam que estávamos entrando em um novo mundo, completamente diferente de tudo o que vivemos nos últimos nove meses de volta ao mundo.

Até aqui, nada melhor, nada pior, somente diferente do restante da América.

4 COMENTÁRIOS

  1. Ola! Gostei muito do post, mas ainda fiquei com dúvidas sobre o que é pedido por eles. Estou pra ir por Tijuana e tenho o visto de turista. Nunca fui nos EUA então tenho medo do que podem exigir por eu estar entrando pelo Mexico. Vou com duas a,itãs holandesas e não quero passar vergonha por ser brasileira kkk. Obgada

    • Olá, querida amiga Raissa, tudo bem?
      Que bom receber a sua mensagem no Terra Adentro! 🙂
      Então, pra você atravessar a fronteira do México para os Estados Unidos por terra é exigido somente o seu passaporte e o visto de turista, que você já possui.
      Se forem cruzar de carro, pode ser que peçam os documentos do veículo e sua carteira de habilitação.
      No mais, pode ir tranquila que eles não exigem nenhum documento diferente do habitual.
      O que pudermos ajudar, conte sempre conosco! 🙂
      Abraços dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

    • Esta é uma longa e difícil decisão, amigo Moacyr!
      Infelizmente, em muitos casos, somos abordados de uma forma que não esperamos ou que imaginamos que nunca vai acontecer conosco, mas acaba acontecendo!
      Talvez, se soubéssemos de antemão como seria esta abordagem, pode ser que mudássemos nossos planos, mas nunca sabemos como seremos recebidos nos países que estamos ingressando.
      Assim, vamos colhendo estas experiências, sejam elas positivas ou negativas, que sempre vão deixando grandes ensinamentos sobre a vida! 🙂
      Grande abraço dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

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