Depois de mais de 11 meses de viagem, 42 mil quilômetros rodados por 16 países, cinco quebras do carro, mais de 45 dias parados em oficinas mecânicas, finalmente atingimos o nosso maior objetivo nas Américas: cruzamos a última fronteira da América do Norte, o estado americano do Alaska.

Dia 11 de setembro, um dia inesquecível!

Em muitos momentos, quando os desafios nos impeliam de atingir este grande objetivo, chegamos a até questionar se ainda seria possível chegarmos tão longe, principalmente com o inverno já batendo à porta do Hemisfério Norte.

Entretanto, com o passar dos meses na estrada fomos aprendendo que os sonhos nunca são inalcançáveis, apenas se tornam uma questão de tempo para todos aqueles que planejam e realizam com grande afinco seus objetivos.

Foi nesse clima, transbordando de alegria, que cruzamos a última fronteira das Américas, embalados pela trilha sonora de Eddie Vedder, “Into the Wild”, que tão bem dimensionou a atmosfera selvagem do Alaska.

Já era noite quando chegamos em Fairbanks, nossa primeira parada oficial no Alaska. Depois de muitos dias incessantes de estrada e mais de cinco mil quilômetros rodados em um pequeno espaço de tempo, tudo o que mais precisávamos era parar um pouco e deixar o Mochileiro descansar por uns dias.

Contudo, em poucas horas de Alaska, o descanso planejado logo deu espaço à outro grande objetivo: encontrar a Aurora Boreal, as incríveis luzes nortenhas.

Desde que deixamos as nossas casas para trás, no dia 09 de outubro de 2016, sempre ficávamos imaginando como seriam os nossos dias no extremo norte das Américas.

E, a todo momento, a Aurora Boreal esteve em nosso imaginário.

Sabíamos que a nossa chegada tardia no Alaska poderia nos trazer problemas, mas nos possibilitaria chegar exatamente na “alta temporada” deste impressionante fenômeno natural.

As nossas duas primeiras noites no Alaska e outras que tivemos no norte do Canadá foram completamente sem sucesso. Muito frio e nenhum sinal das Northern Lights, nos mostravam que caçá-las é bem mais difícil do que imaginávamos.

Por mais que o céu estivesse limpo, sem nuvens, e os indicadores de auroras estivessem apontando boas probabilidades de vê-las, percebemos que somente isto era insuficiente para ter boas taxas de sucesso.

Foi quando, inesperadamente, recebemos o convite de um caçador nato de Auroras Boreais e que há muito tempo acompanhávamos pela internet: o amigo, Marco Brotto, que estava em Fairbanks nos mesmos dias que nós.

O Marco logo nos convidou para acompanhar a sua dinâmica de caça à Aurora Boreal e compartilhou conosco valiosíssimas informações e conhecimentos sobre este magnífico fenômeno natural.

Um dos momentos mais inesquecíveis de nossa viagem: a Aurora Boreal.

Na companhia dele e de alguns expedicionários que viajavam sob o seu acompanhamento, vimos de perto, pela primeira vez, a magnitude das Auroras Boreais, em um lugar escolhido a dedo: um camping bem distante de Fairbanks, com direito a um lago exclusivo para observar e contemplar os céus nortenhos completamente esverdeados.

Uma pequena fogueira aquecia a nossa noite, mas foram as ininterruptas horas de Auroras Boreais, madrugada adentro, que preencheram de emoção e alegria a nossa alma.

Depois deste dia inesquecível, mesmo sabendo de todas as dificuldades para caçar as Auroras Boreais, não parávamos uma noite sequer de procurá-las, como se fôssemos atraídos por um singular “canto da sereia”.

Madrugada afora, por cinco noites consecutivas, fomos presenteados com as fantásticas Northern Lights, dançando sob as nossas cabeças. Momentos que levaremos para toda a vida.

Mas, nem só de Aurora Boreal foi feita a nossa passagem pelo Alaska.

Em um de nossos momentos íntimos com a natureza local, tivemos o imenso privilégio de contemplar de perto uma das espécies mais difíceis de serem avistadas por estas terras, o Lince.

Era amanhecer e estávamos sozinhos em meio a um camping completamente abandonado, resultado do inverno que rapidamente vinha se aproximando.

Saímos para preparar o nosso café da manhã quando, rodeados pelo silêncio das florestas boreais, começamos a ouvir alguns ruídos, que vinham do meio da mata, bem ao lado de onde estávamos.

Caminhamos lentamente em direção à floresta, já com o equipamento fotográfico em uma das mãos e o spray contra Ursos na outra, pois não sabíamos o que encontraríamos bem à nossa frente.

Por mais que tentássemos criar as mais surreais possibilidades, a última coisa que pensaríamos era nos deparar frente a frente com o Lince, este belíssimo felino que habita as terras geladas do norte.

O Lince que, atentamente, nos observava.

Suas patas largas, para facilitar caminhar sobre a neve, seu pêlo grosso e sua simpática “barba” literalmente nos encantaram.

Por alguns poucos minutos, ele ficou nos encarando, ciente do caminho que tomaria em sequência.

Poucos dias depois, quando tentamos ingressar sem sucesso no Denali National Park, que já estava fechado para a temporada de inverno, pudemos conhecer um dos lugares mais aguardados do Alaska: o Magic Bus.

Uma grande emoção conhecer o Magic Bus 142, o mesmo usado nas gravações do filme Na Natureza Selvagem.

Mesmo não sendo o ônibus original, que abrigou o famoso expedicionário Christopher McCandless, este Magic Bus, que foi usado nas filmagens do clássico “Na Natureza Selvagem”, nos tocou profundamente, já que esta história foi uma das que mais nos inspirou a mudar de vida e seguir os nossos verdadeiros sonhos, que até então estavam trancados à sete chaves dentro de nós.

Sem dúvida alguma, foi uma grande emoção sentar nesta cadeira, se enquadrar em frente ao Magic Bus 142 e reproduzir a foto célebre de Alexander Supertramp.

Nossos dias no Alaska já estavam chegando ao fim.

As noites ficavam mais frias e era hora de trilhar todo o caminho de volta, cientes de que muitas surpresas ainda estavam guardadas para nós, assim como foi na última fronteira das Américas, onde a Natureza nos brindou tanto com a sua majestade.

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Terra Adentro
Em outubro de 2016 partimos para a Expedição Extremos a bordo do Mochileiro, o nosso Land Rover Defender 110. O objetivo é visitar os lugares mais remotos dos cinco continentes, ao longo de três anos e meio, e contar tudo aqui no site.

4 COMENTÁRIOS

    • Olá amigo, Júlio Cesar, tudo bem com você?
      Nós que só temos a agradecê-lo pelo carinho, pelas orações e pela companhia nesta longa expedição pelo mundo! 🙂
      O Alaska foi incrível, muito além do que imaginávamos.
      Que venham os próximos países, recheados de grandes surpresas, assim como foram os 16 que cruzamos nas Américas! 🙂
      Um forte abraço dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

  1. Uma aventura espetacular!! Obrigada por compartilhar conosco essas emoções, fotos, dicas incríveis! Os sonhos vivem para sempre em nós! Acompanhar um pouco do sonho de vocês foi como ir visitar vocês lá, sentir de perto quanto nosso planeta é lindo! Chegar ao Alaska sem dúvida foi um momento especial, para vocês e para quem acompanha! Abraços, e muitas felicidades para vocês!!! 🙂

    • Olá, querida amiga, Fernanda Henriques, tudo bem com você?
      Ficamos muito felizes em receber a sua mensagem no Terra Adentro! 🙂
      Nós que só temos a agradecê-la pelo carinho e pela companhia sempre!
      Realmente, chegar no Alaska de carro foi a realização de um grande sonho, especialmente depois dos desafios que enfrentamos no caminho.
      Nem no melhor dos nossos sonhos, imaginaríamos tudo o que aconteceu conosco no Alaska, desde a Aurora Boreal até o encontro inesperado com o Lince! 🙂
      Que venham as novas fronteiras e os novos desafios, Fernanda!
      Muito obrigado por tudo!
      Um grande abraço dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

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