Este post narra o dia em que chegamos de carro no ponto mais ao norte da Europa, Nordkapp.

Por uma estreita estrada, entre montanhas e fiordes, percorremos quase trezentos quilômetros com nossa bússola apontada para o norte. No caminho, a região ficava cada vez mais deserta, o vento se intensificava e as cidades se transformavam em pequenas vilas de pescadores. O relevo era tão recortado, que foi preciso cruzarmos um túnel de quase sete quilômetros por debaixo do mar para completarmos o último trecho do dia.

O imprevisível clima polar mudou repentinamente durante a tarde e uma tempestade fortíssima nos atingiu quando chegamos na vila de Honningsvåg. 

O mês de outubro estava quase chegando ao fim e a pequena aldeia portuária estava vazia. Conseguimos, assim, negociar com a proprietária de um albergue um desconto por uma noite de hospedagem. Quando terminamos de nos acomodar, ela nos alertou que era possível que a estrada para Nordkapp estivesse fechada, por conta da tempestade de vento.

Mal dormimos durante a noite, ansiosos pelo o que nos esperava no dia seguinte e preocupados se conseguiríamos alcançar o nosso objetivo. Já havíamos ultrapassado os extremos setenta graus de latitude, mas ainda nos restava os 1° 10′ 21″ que nos separava do ponto mais ao norte da Europa.

Acordamos bem antes do sol nascer, tomamos um café rápido e guardamos as mochilas no carro. A aventura estava começando. 

A tempestade de vento do dia anterior espalhou as nuvens. Ainda estava escuro, mas conseguíamos enxergar com certa nitidez a estreita estrada tomada pela neve. 

Aos poucos, fomos nos aproximando de Nordkapp. Tivemos que cruzar um sinuoso trecho para atravessar a última montanha do continente. Quando chegamos no fim da estrada, paramos o carro. Éramos os únicos por ali e uma alegria incomensurável tomou conta de nós. 

Não sabemos o motivo, mas começamos a correr o mais rápido que podíamos até a beira do penhasco de mais de trezentos metros de altura. Dali pra frente, estava somente o mar ártico. Naquele momento, fomos nós as pessoas que estavam mais ao norte do continente europeu.

Conquistamos de carro o topo da Europa. Conquistamos o Ártico. Não poderíamos estar mais felizes.

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