Na Finlândia, vivenciamos uma das experiências mais incríveis de toda nossa Volta ao Mundo de Carro!

No dia em que cruzamos o Círculo Polar Ártico, acordamos cedo em um estacionamento na cidade de Rovaniemi. Como estávamos viajando fora de temporada e o inverno já estava quase começando, não encontramos nenhum camping aberto na região.

O dia amanheceu super frio, com a paisagem toda nevada. Apesar disso, a luz da manhã estava linda, com a luz do sol iluminando aquela imensidão branca.

Seguimos viagem após uma pequena parada para conhecer o Papai Noel da Lapônia. A estrada estava preenchida com uma camada dura de gelo e era margeada por muitos lagos congelados e árvores coníferas carregadas com a neve fresca.

Bem devagar, seguimos observando a paisagem, até que uma placa na beira da rodovia indicou que estávamos cruzando o Círculo Polar Ártico. 

Esta linha imaginária, que marca a extrema latitude de 66º 33′ 39”, representava muito para nós. Cruzar para o Ártico era uma incalculável conquista para dois brasileiros que saíram de carro para explorar o mundo.

Quando partimos, sabíamos que esta não era uma tarefa fácil, pois seguiríamos terra adentro em um dos lugares mais inóspitos do planeta, enfrentando temperaturas extremamente baixas. 

Por isso, foi uma alegria difícil de esconder. Paramos o carro no acostamento, pois não contemos o desejo de descer e colocar os pés no chão, ou melhor, na neve do Ártico.

Na beira da estrada, encontramos algumas cabanas peculiares do povo Saami, que são tradicionais criadores de renas do norte da Escandinávia. No interior de uma das tendas, estranhamente encontramos uma fogueira acesa, que deve ter sido usada por algum carro que acabara de passar na estrada. Sentamos ao redor do fogo para nos esquentarmos e ficamos ali até as últimas chamas se apagarem.

Nas estradas do norte da Lapônia, ganhamos de volta uma sensação de liberdade e solidão, que poucas vezes tivemos a chance de experimentar na viagem. Assim como vivenciamos na Patagônia e no extremo norte do Canadá, na Finlândia pudemos dirigir por horas sem cruzar com um outro veículo. Tínhamos a chance de parar o carro repentinamente no meio da pista para avistar uma paisagem ou algum animal que cruzava por nós.

Podíamos imaginar que éramos só nós dois em meio àquela natureza inóspita e selvagem!

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