Chegar de carro até o Deserto do Saara foi uma das mais notáveis aventuras que vivemos nos últimos dois anos de Volta ao Mundo de Carro.

Visitar esta inóspita região no auge do verão, então, foi um grande desafio! Nossa expedição para o Deserto começou quando saímos de Casablanca e começamos a dirigir os setecentos quilômetros de estrada que nos levariam até as Dunas de Erg Chebbi, na exótica Vila de Merzouga.

Amanhecer nas Dunas do Saara.

 

Em duras sete horas de estrada, cruzamos a Cordilheira do Atlas, a cadeia montanhosa que atravessa obliquamente o território do Marrocos, desde os planaltos argelinos até a costa sul de Agadir. A lenta e movimentada rodovia serpenteava montanhas que passavam dos dois mil metros de altitude.

Nossa primeira parada foi a turística e famosa Marrakech, onde passamos uma semana passeando por sua enorme medina e tradicionais mesquitas.

Quando finalmente começamos a seguir a estrada para o Saara, depois de uma interessante visita à curiosa cidade de Ouarzazate, é que realmente pudemos sentir o autêntico e verdadeiro Marrocos.

Por diversas vezes, cruzamos por tradicionais vilas. Sempre cheias de homens que se concentravam nos mercados e mulheres cobertas com burcas que se escondiam no interior de suas casas feitas de terra.

O maior desafio que enfrentamos foi cruzar as ferventes estradas em pleno mês de agosto, quando as temperaturas atingiam facilmente os 50 graus no meio do dia. Como o Mochileiro não tem ar condicionado, os nossos dias eram muito difíceis.

As estonteantes Dunas de Erg Cheb, Merzouga.

 

Mas toda a aventura e o desafio valeram a pena quando chegamos na Vila de Merzouga, já quase na fronteira com a Argélia. Não é uma tarefa fácil descrever os dias que ficamos no Deserto do Saara. Foi uma mistura de surpresas, emoções e aprendizados.

Logo no primeiro dia, assim que chegamos em Merzouga, tivemos que correr para encontrar uma pousada para nos escondermos de uma fortíssima tempestade de areia que chegava da região. Passamos o fim de tarde debruçados nas janelas de uma autêntica pousada Amazigh, observando a força da natureza.

O vento forte carregava milhares de grãos de areia que nos acertavam como pequenas agulhas.

Não conseguíamos enxergar nada, somente a poeira vermelha do deserto, que encobria o céu, a estrada, as construções e as dunas. A tempestade de areia passou somente no dia seguinte. Assim, decidimos acordar cedo para fotografar as dunas ao nascer do sol.

Caminhamos até a duna mais alta que conseguimos, sentamos e ficamos observando o cenário. Nosso olhar não conseguia alcançar o fim das dunas e não havia mais ninguém por perto.

Quando os primeiros raios de sol surgiram no horizonte, a areia se iluminou em um dourado inexplicável. Por vezes, conseguíamos até enxergar algumas tropas de quatro ou cinco camelos passando ao fundo. Foi um momento mágico!

Para completar nossa experiência no Saara, mesmo com o calor intenso, decidimos passar a noite em um acampamento Berbere no meio das dunas.

2 COMMENTS

Deixe uma resposta para Dormindo em um acampamento Berbere no Deserto do Saara | Terra Adentro Cancel reply

Please enter your comment!
Please enter your name here