As travessias marítimas são sempre complicadas e mudam substancialmente o roteiro e os planos de uma volta ao mundo de carro. Sempre planejamos datas, prazos, vistos e etc, contudo tudo se torna mais difícil quando precisamos levar em consideração as travessias marítimas.

Mochileiro dentro do Contêiner no Canadá.

 

Com raríssimas exceções, no geral é sempre a mesma história: o navio atrasa a partida, muda o itinerário inesperadamente, as empresas despachantes não respondem os e-mails que enviamos e os nossos planos mudam ininterruptamente. É praticamente impossível planejar uma viagem que envolva travessias marítimas, especialmente as continentais, que levam meses e meses.

Quando embarcamos o Mochileiro no Canadá, recebemos o prazo de trânsito de 38 dias, aproximadamente. O primeiro navio, que deixaria Vancouver em direção à Roterdã, na Holanda, deixou o nosso contêiner para trás, alegando falta de espaço. Posteriormente, o segundo navio, programado para a partir uns sete dias depois, adiou a saída em mais uma semana, levando para o fundo do mar o planejamento que tínhamos realizado até então.

Quando o navio que transportava o Mochileiro finalmente deixou o Canadá, teve início a nova fase de atrasos e dificuldades de comunicação com as empresas responsáveis. 

Nos papéis de embarque do contêiner, descobrimos que a empresa encarregada de realizar o descarregamento e os trâmites na Holanda já havia sido escolhida. Entramos em contato com a Marlog Car Handling e, a partir de então, passamos a acompanhar de perto o movimento do navio, que cruzou o Canal do Panamá e, posteriormente, acelerou rumo à Europa.

Depois de 70 dias, entre o embarque e o desembarque, fomos liberados para buscar o Mochileiro, finalmente. Poucos dias antes, fomos orientados pela Marlog sobre todo o procedimento de aduanas e de importação temporária do veículo. Enviamos os documentos solicitados e dias depois recebemos o Invoice do serviço, uma espécie de nota fiscal.

Diferentemente das fronteiras terrestres, neste caso, a regularização da entrada temporária do carro na Europa é feita somente pela empresa despachante, ou seja, nós não temos contato com quaisquer agentes aduaneiros europeus.

Agendamos com a Marlog Car Handling o dia de buscarmos o carro e partimos para a Holanda, deixando Dublin para trás, após dois meses que desembarcamos na cidade.

Os trâmites para retirada do carro foram inacreditáveis, de tão fáceis e desburocratizados. Nos lembramos do dia exaustivo que tivemos no Panamá e de como as amarras burocráticas fazem parte da nossa cultura.

Chegamos no escritório da Marlog e logo fomos recebidos. Menos de 30 minutos depois, já estávamos com o Mochileiro preparado para seguir viagem.

O processo foi o mais simples possível. Assinamos alguns documentos, recebemos os papéis da Aduana, pagamos a taxa de 724 Euros e pronto. Ao lado do escritório, já observávamos o Mochileiro à nossa espera.

 

Recebemos a chave do carro e, com os corações acelerados, demos a partida após longos 70 dias de espera. O Mochileiro engasgou, engasgou, mas valente como é, logo pegou para valer, trazendo em nós o sorriso de liberdade que tanto esperávamos reviver.

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