A nossa passagem pelas Américas chegou ao fim.

Após os mais de 17 meses e 50 mil quilômetros entre os extremos do continente americano, chegava a hora de buscarmos outras terras e novos ares.

Hora de dar “adeus” ao Mochileiro. Nossos dias nas Américas chegavam ao fim.

Os quase seis meses que passamos no Canadá, entre as Montanhas Rochosas e os territórios selvagens do Yukon, foram o desfecho perfeito para a primeira etapa de nossa volta ao mundo de carro.

Restava ainda a conclusão de uma das tarefas mais espinhosas desde que saímos de casa: embarcar o carro rumo ao novo continente, a Europa.

Nossos primeiros planos, quando ainda rascunhávamos a nossa viagem pelo mundo, era embarcar o carro na Flórida, uma região geograficamente mais perto do nosso próximo objetivo.

Entretanto, com o passar do tempo e com o natural desgaste do carro e dos tripulantes, aliados à chegada do rigoroso inverno do Hemisfério Norte, decidimos mudar os planos e escolher um porto mais próximo de nossa localização, à época no estado canadense de British Columbia.

A primeira ideia que veio em nossa mente foi despachar o carro de San Francisco, na costa oeste americana.

De onde estávamos, até a cidade americana, eram menos de dois mil quilômetros, uma distância usual em países continentais.

A partir da sugestão de um amigo overlander, fizemos contato com a empresa CFR Rinkens, com sede em Oakland, na Califórnia, que nos atendeu com extremo profissionalismo. Após algumas trocas de e-mails, recebemos o orçamento para um contêiner de 40 pés, que seria compartilhado com outros carros, que já estavam à espera do transporte marítimo para Rotterdam, o porto mais barato e movimentado da Europa.

Nesta mesma semana, quando tomávamos um caprichado café da manhã, surgiu uma brilhante ideia: e se orçarmos o envio do carro de Vancouver, tão pertinho de onde estávamos? Às vezes, a solução estaria ao lado de nossa porta, de onde nunca imaginávamos embarcar o Mochileiro.

Começamos a pesquisar e em pouco tempo descobrimos uma empresa muito bem recomendada: a World Cargo. Entramos em contato e logo recebemos um atendimento de primeira classe, algo que nunca antes havíamos recebido por parte de qualquer companhia.

Chegando na empresa World Cargo, em Vancouver.

Conversa vai e conversa vem, poucos dias depois já havíamos recebido o orçamento da travessia marítima até Rotterdam, na Holanda. Os valores, apesar de serem um pouco mais altos do que a proposta de Oakland, logo nos ganharam. Se contássemos os dias de estrada, os gastos com combustível e outras despesas até San Francisco, na Califórnia, os valores oferecidos pela World Cargo saíam mais em conta do que o orçamento proposto pela CFR Rinkens.

Além disso, fugiríamos de um problema comum que os overlanders enfrentam nos Estados Unidos quando embarcam o seu carro para outros continentes: a dificuldade para provar às autoridades locais como e por onde o seu carro entrou no país.

Nas fronteiras americanas, especialmente nos milhares de quilômetros que dividem o país com o México, a rigidez das autoridades se restringe somente ao controle migratório de pessoas e não de veículos. Na imensa maioria das vezes, os carros entram e saem do país sem qualquer registro, diferentemente do que acontece na América Latina, onde registramos a entrada e a saída do veículo por meio do Documento de Importação Temporária, da mesma forma em que registramos nos passaportes a nossa entrada e saída como turistas.

Contudo, nos EUA, são raríssimos os casos em que o Documento de Importação Temporária do carro é emitido para o viajante no momento de sua entrada no país. O normal é perguntarmos aos agentes fronteiriços e muitos deles nem saberem do que estamos falando.

O grande problema desta situação é que, ao embarcar o carro em um contêiner rumo a outro país, este documento é exigido. Conhecemos overlanders que perderam meses nos EUA resolvendo este imbróglio, que pode ser solucionado em poucas horas ou em várias semanas, dependendo da reação e da boa vontade das autoridades locais.

Assim sendo, a opção do Canadá nos pareceu perfeita. O preço é competitivo, visto que estávamos a poucas horas do porto de embarque, e os trâmites são inexplicavelmente fáceis.

Em menos de uma hora e meia, a empresa vistoriou o carro, nós preenchemos os papéis, efetuamos o pagamento, coletamos as nossas vias do contrato e pronto, já estávamos nos despedindo de nossa casa sobre rodas. Muitas vezes, a solução é mais fácil e mais próxima do que imaginamos.

Nos vemos na Europa, Mochileiro!

Dicas para quem vai embarcar o carro na América do Norte:

1) Dos Estados Unidos:

  • O orçamento da empresa CFR Rinkens, enviando o carro de Oakland até Rotterdam, em um contêiner de 40 pés compartilhado, foi de 1.200 dólares americanos, excluindo as despesas com os despachantes no destino.
  • San Francisco é um dos portos mais baratos dos EUA.
  • Quando você cruzar com um carro estrangeiro para os EUA, tente solicitar aos agentes fronteiriços a TIP (Temporary Importation Permit), pois este documento poderá te livrar de incalculáveis dores de cabeça no futuro.

2) Do Canadá:

  • Agora, se você pensa em embarcar o carro do Canadá para a Europa ou para outro lugar, a TIP norte-americana é desnecessária.
  • Normalmente, o Canadá não emite a TIP quando cruzamos a fronteira do país de carro. Assim, habitualmente este documento não é exigido no momento de embarcar o carro rumo a outro continente.
  • O tempo de travessia marítima da costa oeste do Canadá/EUA até a Europa é mais longo do que partindo da costa leste de ambos os países.
  • Caso você opte por embarcar o seu carro no Canadá e prefira a costa leste do país, uma boa opção é o porto de Halifax, na Nova Escócia.
  • O Canadá é ideal para quem procura trâmites fáceis e desburocratizados.
  • O envio do nosso carro, de Vancouver até Rotterdam, através de um contêiner de 40 pés compartilhado, custou 1.800 dólares americanos.
  • O tempo estimado da travessia foi de 38 dias.

6 COMMENTS

  1. Olá amigos…
    Que bom saber que vocês vão continuar com o Mochileiro…
    Acompanhei um pouco da saga do Olá é da Mari do projeto Livre Partida, onde eles optaram por vender o carro nos Estados Unidos e comprar outro na Europa… Mas foi muito complicado adquirir e usar um carro de lá… Acho que essa decisão de vocês foi acertada…

    Um abraço de seu amigo

    Luis

    • Olá, amigo Luis Barros, tudo bem?
      É um prazer recebermos a sua mensagem no Terra Adentro! 🙂
      Realmente, tentar comprar um carro na Europa é um processo muito difícil, pois a documentação exigida é bem complexa de ser arranjada.
      Conversamos bastante com o Plácido e a Mari e eles passaram por situações bem complicadas por lá.
      A nossa ideia sempre foi seguir com o Mochileiro para os quatro cantos do mundo, por isto não vemos a hora de reencontrar o nosso companheiro em terras europeias! 🙂
      Que venham os próximos países e as aventuras a bordo do Mochileiro! 😉
      Vamos que vamos, amigo Luis Barros!
      Um forte abraço,
      Henrique e Sabrina.

  2. Olá Henrique e Sabrina, favor, além do valor de 1.800 dólares para o embarque foi necessário pagamento de mais alguma taxa..? Gostaria de saber mais detalhes inclusive do desembarque, a também e a burocracia que envolve. Obrigadão e estou adorando viajar com vcs….. Beijos!!

    • Olá, querida amiga Genalva, tudo bem?
      Ficamos muito felizes em receber a sua mensagem no Terra Adentro! 🙂
      Ainda não realizamos o desembarque do carro na Europa, contudo acredito que gastaremos ainda algo como 700 Euros de taxas + despachantes na Holanda.
      Pode deixar que, assim que retirarmos o carro do contêiner, escreveremos um post bem detalhado, contando tudo sobre este procedimento, os trâmites, as taxas e etc.
      Muito obrigado pelo carinho e por sua companhia sempre, Genalva! 🙂
      Abraços dos amigos,
      Henrique e Sabrina.

  3. Ficaram quantos meses nos USA com o visto de turista?
    Estou planejando uma viajem até Los Angeles, desde o Rio de Janeiro. Gostaria muito de informações sobre essa rota, principalmente sobre a questão do embarque do veículo no Panamá.

    Grande abraço.

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